Conhecida por interpretar a coadjuvante da série “iCarly”, Jennette McCurdy almeja que esqueçam que ela já foi atriz mirim. Hoje, aos 33, quer ser vista só porquê escritora, a mente por trás do livro de memórias “Estou Feliz que Minha Mãe Morreu”, sucesso que deu a ela um gostinho do que é ser protagonista, um pouco que nunca teve plenamente em Hollywood.
Para atestar se foi ou não sorte de principiante, McCurdy estreia agora na ficção com sua seguda obra, “Metade da Idade Dele”, que vem sendo considerada quase tão ou até mais polêmica que o livro anterior.
É que se McCurdy chegou pela primeira vez nas livrarias em 2022 às custas dos traumas que viveu com uma mãe abusiva—a ponto de consentir que a morte da mulher foi um refrigério—, agora McCurdy retorna às prateleiras com uma personagem que também tem péssima relação com a mãe, e que transa com um professor muito mais velho.
“Não escrevo pela polêmica, mas não estou cá para gerar um pouco preguiçoso, sem substância”, afirma a americana em entrevista por vídeo. “Confio nos meus leitores, em pessoas inteligentes que conseguem mourejar com temas complexos, que formam as suas próprias opiniões, que pensam de forma profunda.”
“Metade da Idade Dele” chega ao Brasil depois de originar polêmica lá fora, onde saiu no início do ano. A principiar pela imagem da toga, em que uma pequena lambuza com vontade os próprios dedos, enfiados na boca de forma sugestiva. Nas páginas, conhecemos Waldo, estudante de 17 anos que fica obcecada por Korgy, de 40, o professor de escrita com quem ela decide fazer sexo na escola.
O livro é repleto de cenas eróticas. Já no início, Waldo se pega pensando porquê dispensar o garoto com quem está tendo uma transa tão ruim que a deixa entediada. Noutra passagem, mais primeiro, a personagem leva o professor a ejacular dentro da calça, e, enquanto a mancha se espalha, pensa que lamber é a melhor forma de limpá-la.
Lembra “Lolita”, o clássico de Vladimir Nabokov, embora cá a mocinha tenha mais filial sobre o desenrolar de um relacionamento que se mostra no mínimo problemático. McCurdy diz que adora a obra dos anos 1950, mas não se inspirou nela.
O tom provocativo do seu texto agrada uns, enoja outros. Críticos do jornal The New York Times e do britânico The Guardian elogiaram a trama dizendo, por exemplo, que ela é ousada, agrada aos tarados, e que McCurdy é magistral ao narrar as cenas lascivas —escritas várias vezes até ficarem no ponto, diz.
Outros leitores, porém, foram às redes sociais para manifestar que McCurdy suaviza a imagem do professor, que para eles deveria ser tratado porquê abusador, e que terminaram a leitura irritados com a protagonista —Waldo, por fim, é consumista, fútil e amarga. Mas a autora não se incomoda. “Eu queria que ela fosse mesmo espinhosa e complexa, não somente excêntrica.”
Na vida real, a própria McCurdy namorou um varão mais velho —ela tinha 18, e ele mais de 30. Mas, cá, arte não imita a vida, e autora diz que se engana quem tenta traçar paralelos entre criadora e pessoa. “Vão me projetar na Waldo, mas essa é uma leitura equivocada.”
É difícil, porém, não relacionar os traumas familiares da escritora com os de Waldo, que custa se entender com a progenitora. “Quando eu tinha sete anos, minha mãe disse que era difícil me amar”, diz a personagem, cuspindo uma frustração, meio porquê a própria McCurdy fez ao expor as agressões da mãe em sua obra de estreia.
A ex-atriz nega a relação e diz que redigir não é a sua forma predileta de exorcizar demônios. “Oriente é o meu trabalho. Qualquer coisa que eu precise entender, levo para minha terapeuta.”
Em “Estou Feliz que Minha Mãe Morreu”, a escritora narra porquê se deteriorou uma relação da qual ela esperava mais afeto. Segundo o relato, sua mãe, Debra, mandava no que Jennette deveria consumir, fazer, desejar.
A mulher se preocupava principalmente com o corpo da filha, e fazia até inspeções durante o banho. McCurdy diz que acabou desenvolvendo transtornos alimentares. O pai, meio banana, mal tinha voz dentro de mansão.
Fora um libido da mulher, e não da filha, fazer a pequena esplender em Hollywood. Por isso, Debra deu um jeito de inscrever Jennette em testes de elenco.
Posteriormente papéis pequenos, Jennette McCurdy parou em “iCarly”, aposta da Nickelodeon para fisgar o público jovem, lançada em 2007. A teoria do via era gerar um resultado que rivalizasse com sucessos da Disney porquê “Hannah Montana”.
Deu visível, e “iCarly” virou febre com a história de uma jovem que cria um programa na internet. A série transformou o rosto de McCurdy em um dos mais conhecidos da idade —ela era Sam Puckett, a amiga da protagonista.
Sam era tão querida que depois ganhou sua própria série, “Sam & Cat”. “iCarly”, por sua vez, teve uma sequência em 2021, sob a vaga de nostalgia que se alastra por Hollywood.
Mas McCurdy, já mais velha e afastada da televisão, se recusou a voltar, e a obra teve de dar um jeito de explicar a falta da sua personagem. À idade, ela disse em entrevistas que se arrependia de ter virado atriz. Um ano depois, lançou o livro que mudaria a sua vida.
Na obra, ela aborda porquê um sistema que lucra com crianças disciplinadas —no caso, a televisão americana—, pode piorar relações familiares. O tratamento de atores mirins virou tema de debate nos últimos anos posteriormente denúncias de comportamento inadequado envolvendo Dan Schneider, produtor da Nickelodeon. Nas páginas do seu livro, aliás, McCurdy relembra situações desconfortáveis dos bastidores.
“Hoje eu senhoril sentir raiva. É uma emoção que impulsionou escolhas importantes da minha vida”, ela diz. “Raiva raramente surge quando tudo está muito. Ela te diz que um pouco precisa mudar. Foi ela que me fez superar um transtorno nutrir, me tirou de relacionamentos não saudáveis, e guiou secção da escrita do livro novo. É um combustível valioso.”
McCurdy ganhou mais verba porquê escritora do que porquê atriz. “E não importaria se não me rendesse verba. Nunca pensei que mudaria de curso para lucrar mais. Era só o que eu queria fazer, portanto fui lá e fiz.”
Apesar desse oração, McCurdy acabou cedendo a Hollywood. “Estou Feliz que Minha Mãe Morreu” vai virar série no Apple TV com Jennifer Aniston no papel da mãe e roteiro da própria McCurdy.
A equipe dela avisou, porém, que leste era tópico proibido na entrevista. Fizeram várias outras restrições —pediram, por exemplo, que McCurdy não fosse tratada porquê “ex-atriz mirim” na reportagem, mas “escritora best-seller”.
McCurdy confirmou que rejeita a epíteto ao manifestar que não ouve alguém chamá-la desse jeito há tempos. “Foi-se o tempo em que eu fazia o que me mandavam fazer. Hoje eu dirijo minha própria vida.”
