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Conheça Safo, poeta de Lesbos que falava de amor e
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Conheça Safo, poeta de Lesbos que falava de amor e sexo – 10/05/2026 – Ilustrada

Discussões sobre sexo, sexualidade e gênero são recorrentes em nossa sociedade e influenciam mudanças sociais concretas, a exemplo do reconhecimento permitido do matrimónio homoafetivo em vários países. Porquê sociedade, estamos debatendo a teoria de que o gênero não é um pouco puramente biológico. Mas será que essas ideias são radicalmente novas?

Na verdade, não. Esses mesmos temas foram centrais na obra da poeta Safo, que viveu no século 6 a.C. na ilhéu grega de Lesbos. Sim, é por razão dela que usamos a sentença lésbica, que originalmente designa “alguém de Lesbos”.

A professora Margaret Reynolds, perito no trabalho de Safo, explicou à BBC News alguns aspectos da vida e obra da poeta que a tornam vigente até os dias atuais.

Uma poeta celebrada em sua era

Safo é uma das poucas vozes femininas dos quais trabalho sobreviveu desde a Antiguidade. A reputação de Safo esteve, por muito tempo, envolta em mitos e lendas, frequentemente mudando para refletir as diferentes atitudes da sociedade diante de gênero e sexualidade.

Segundo Reynolds, embora o trabalho da poeta tenha se tornado sinônimo do libido lésbico, na era em que Safo fez seus textos, 2,6 milénio anos detrás, zero do que ela escreveu seria motivo de escândalo. Ainda que na era fosse esperado que as mulheres se casassem com homens, os sentimentos e relações homossexuais eram vistos com naturalidade.

Sabe-se que Safo pertencia a uma família aristocrática. Alguns textos antigos fazem referência a pessoas que parecem ser seu marido e sua filha, embora não seja provável ter certeza absoluta da existência deles.

Safo foi reconhecida ainda em vida: era tratada porquê “a poeta”, assim porquê Homero era tratado porquê “o poeta”. Ela foi uma das poucas mulheres a ser retratada em cerâmica, o que é o equivalente helênico macróbio a nascer em um programa de TV no horário superior.

A linguagem do paixão e do libido

Embora pouco de seu trabalho tenha sobrevivido, Safo é até hoje cândido da fascinação de eruditos e artistas. Com o passar dos anos, suas obras completas se perderam: só o que restou foi um punhado de poemas completos e alguns fragmentos transcritos em papiros antigos.

Alguns eruditos acreditam que ela tenha escrito seus poemas para mulheres e meninas pertencentes ao doutrinado de Afrodite, e que haviam comemorado ritos femininos porquê a puberdade, o matrimónio e o parto.

Mas, ao longo do século pretérito, novas descobertas sobre seu trabalho levaram à compreensão, segundo Reynolds, do papel fundamental que ela desempenhou na forma da linguagem do paixão e do libido, que usamos até hoje.

Atualmente, a mulher celebrada por Platão porquê a “Décima Musa” empresta seu nome a uma forma poética específica, chamada de estrofe sáfica, e é atribuída a ela a origem de algumas ideias e frases românticas comuns, porquê a referência à natureza “amarga” do paixão.

Safo diagnosticou o “mal do paixão” milhares de anos detrás, explica Reynolds. Um dos poemas conhecidos dela diz: “Mãe querida, já não tenho força para movimentar a agulha no bastidor, / ferida porquê estou de paixão por um jovem… e a culpa é de Afrodite.”

No miga 31, ela enumera os sintomas físicos do libido. Enquanto observa a pessoa que governanta flertar com outro varão, o narrador da poeta fica embatucado, sente indiferente e calor por todo o corpo e escuta um zumbido em seus ouvidos. As sensações são tão intensas que ele acha que vai morrer.

Levante miga é um exemplo de um poeta que escreve sobre o dispêndio físico que o libido serpente de nós: “Parece-me ser igual aos deuses esse varão que, sentado na tua / frente, te ouve de perto falar docemente e rir de maneira encantadora, / o que me faz saltar o coração no peito. Pois, quando te olho por um / momento, já não sou capaz de expor zero, a minha língua / silenciosamente gela e imediatamente um queimação subtil corre sob a / minha pele. Deixo, subitamente, de ver, os meus ouvidos zunem e um / suor indiferente cobre o meu corpo, escravizado por intenso tremor. Fico portanto / mais verdejante do que a relva e pareço pouco distante de morrer.”

Sexualidade fluida

Safo é considerada um ícone do relacionamento homossexual feminino, mas a poeta escreveu tanto sobre seu libido por mulheres quanto por homens, aponta Reynolds.

As expressões do libido homoerótico na Grécia Antiga não significavam que as pessoas eram identificadas com uma orientação sexual em privado, por isso é pouco provável que ela fosse chamada de homossexual.

A sentença da sexualidade fluida de Safo tem muito em generalidade com a forma porquê muitos escolhem expressar sua identidade sexual atualmente, defende Reynolds.

Os poemas de Safo jogam com nossas expectativas sobre o gênero e provocam perguntas sobre a sexualidade. Quem é o narrador, um varão ou uma mulher? Quem é o amante, o varão ou uma mulher?

O miga 31, mencionado supra, se refere a alguém que está vendo uma bela jovem e invejando o varão que fala com ela. Os tradutores do século 15 em diante presumiram que o narrador —ou seja, a pessoa que desejava a jovem— era um varão. Mas o poema original traz uma grande pista de que não era o caso, explica Reynolds. A poeta usa a forma grega “chlorotera”, que indica que a narração era de uma mulher.

Para Reynolds, Safo queria que sua verso fizesse o leitor pensar sobre experiências transgênero, ou que transcendessem os gêneros. Ela queria que o leitor conseguisse imaginar os sentimentos de gêneros que talvez fossem diferentes do seu, prossegue a acadêmica.

“Os poemas de Safo sobre seus temas mais importantes —o sexo e o paixão— são sobre todas as pessoas”, afirma. “São de gênero fluido. Safo não se importava com quem amamos. (Para ela), continuava sendo paixão.”

Para Reynolds, a prelecção de Safo para os dias atuais é: “Não se preocupe com rótulos. Exclusivamente siga em frente e seja quem você é.”

Folha

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