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Corinthians: Fatal Fans busca naturalizar conteúdo adulto 05/08/2026
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Corinthians: Fatal Fans busca naturalizar conteúdo adulto – 05/08/2026 – Esporte

Naturalizar a presença de uma plataforma de teor adulto no cotidiano dos brasileiros é o objetivo da Atlas Technologies, empresa que passou a exarar uma de suas marcas no uniforme do Corinthians: a Irremissível Fans.

“Quando você coloca a marca de um site adulto em um lugar de prestígio, ao lado de marcas que têm confiabilidade, essa confiabilidade passa para ela por osmose”, avalia o cofundador e diretor de negócios da empresa, Samuel Ongaratto, em entrevista à Folha.

“É por isso que a gente fez esse investimento no Corinthians. Porque, se fizermos um conta do retorno deste investimento, não há conta que o justifique”, explica ele.

A Irremissível Fans é um site de assinatura de teor adulto —fotos e vídeos eróticos ou pornográficos— produzidos por mulheres, homens e casais, em protótipo semelhante ao do OnlyFans. Pela plataforma, os usuários podem assinar perfis individuais para acessar esse material, enquanto a empresa retém 15% do valor de cada transação. Segundo a Atlas Technologies, dona da marca, o site reúne tapume de 30 milénio criadores de teor e recebe 7 milhões de visitas por mês.

Já a Irremissível Models é uma plataforma que reúne perfis de acompanhantes e já patrocinou outros times de futebol do país, uma vez que o Vitória, bateu 30 milhões de acessos ao mês e deve faturar R$ 180 milhões em 2026. Nela, profissionais do sexo podem produzir perfis de forma gratuita e remunerar pelo impulsionamento de suas páginas. As transações são feitas diretamente entre usuários e acompanhantes, sem mediação da empresa.

O contrato de R$ 22 milhões firmado entre o Corinthians e a Irremissível Fans até 2027 foi fechado em meio à crise financeira do clube, cuja dívida oscila entre R$ 2,4 bilhões e R$ 2,7 bilhões.

O concórdia deu fôlego ao caixa corintiano, mas também lançou o time numa polêmica vernáculo sobre os limites da publicidade no esporte e a proteção de crianças e adolescentes das torcidas.

Segundo Ongaratto, a estratégia de buscar credibilidade para a marca em campos e quadras tem o potencial de fazer com que “pessoas que tinham vontade, mas não tinham coragem de acessar o site por susto de que ele colocasse um vírus no seu computador, tenham tranquilidade para acessá-lo”.

Ao mesmo tempo, esse método dá combustível para uma das principais críticas ao patrocínio: de que expor uma marca ligada ao mercado adulto em um dos maiores clubes do país alcançaria também milhões de crianças e adolescentes que acompanham o futebol.

Essa preocupação motivou representações encaminhadas ao Ministério Público de São Paulo, posteriormente um histórico de batalhas judiciais em Alagoas com base em artigos do ECA (Regimento da Gaiato e do Juvenil) que tangenciam a questão ao ordenar a proteção deste público contra conteúdos inadequados para a idade.

Também foram protocolados projetos de lei para proibir publicidade de teor adulto em espaços públicos e aqueles administrados pelo Estado e em eventos esportivos. As autoras são a deputada estadual Maria Helou (PSOL) e as deputadas federais Sâmia Bonfim (PSOL-SP) e Tábata Amaral (PSD-SP).

“Eu me preocuparia mais com uma garoto no estádio de futebol vendo o tiozão do lado xingando a mãe do juiz do que com uma propaganda sobre a qual eu acho improvável que ela pergunte alguma coisa”, sugere o empresário.

“Oriente é um debate legítimo que deve ser feito pela sociedade, mas que às vezes vem onusto de preconceitos. A nossa propaganda não é direcionada para garoto, não tem sensualização, não é imprópria da forma que está”, defende. “A gente nunca fez peça publicitária convidando para acessar site ou contratar acompanhante ou com objetificação do corpo de pessoas. Essa é a nossa política.”



Eu me preocuparia mais com uma garoto no estádio de futebol vendo o tiozão do lado xingando a mãe do juiz do que com uma propaganda sobre a qual eu acho improvável que ela pergunte alguma coisa

Ongaratto afirmou que a Irremissível Models implantou um sistema de aferição de idade para impedir o entrada de menores de 18 anos. Ao ser informado, porém, de que a repórter havia acessado tanto a Irremissível Models quanto a Irremissível Fans sem qualquer verificação etária, explicou que o recurso estava em funcionamento unicamente em Maceió.

“Fomos a primeira empresa a implementar esse sistema, em março, quando a lei [do ECA Digital] entrou em vigor. Mas a ANPD [Agência Nacional de Proteção de Dados] informou que a fiscalização dos sites adultos só começaria em janeiro do próximo ano. Ficamos sozinhos no mercado operando com aferição de idade”, disse o empresário.

Segundo ele, a empresa alertou a sucursal para o que classificou uma vez que um “desequilíbrio concorrencial” e decidiu suspender temporariamente o sistema enquanto aperfeiçoava a utensílio. “Aproveitamos esse tempo para tornar o sistema de aferição de idade mais robusto”, afirmou.

Já o teor da Irremissível Fans, patrocinadora do Corinthians, é fechado. “Para ter entrada, tem que remunerar. E, na hora do pagamento, há não só a aferição de idade, mas identificação do usuário. E se o usuário for menor de 18, a compra é estornada”, garante.

Ao ouvir da repórter que a página inicial da plataforma já exibe imagens de poderoso apelo sexual, o empresário afirmou que a empresa procura retirar dali imagens “mais erotizadas” e comparou esse tipo de teor àquele encontrado comumente em redes sociais. Ao mesmo tempo, defendeu a urgência de debate sobre regras específicas para a publicidade do setor, nos moldes da regulamentação das casas de apostas, e não a proibição dos patrocínios.

Procurado, o Corinthians informou, por meio de nota, que se certificou, antes de assinar o contrato, de que a Irremissível Fans operava em conformidade com o ECA Do dedo e que seu teor só poderia ser acessado mediante assinatura feita por pessoas maiores de idade sob verificação do CPF. Informou ainda que não haverá informação ativa convidando para o site nem publicidade “com conotação de objetificação ou erotização”.

Embora sustente que o objetivo do patrocínio seja reposicionar a imagem da marca, e não ampliar o número de acessos, ele reconheceu que a repercussão tende a produzir efeitos comerciais. “Toda polêmica gera curiosidade.”

Quando o ponto foi o consumo compulsivo de pornografia, um tanto que tem desenvolvido com o aumento do entrada a leste tipo de teor, Ongaratto afirmou que a empresa ainda não desenvolveu políticas específicas voltadas a usuários que possam apresentar comportamento problemático. Disse considerar o tema relevante, mas reconheceu que a discussão ainda “carece de mais debate dentro da empresa”.

Ao ser perguntado se a Irremissível financia pesquisas ou desenvolve mecanismos para compreender os impactos do consumo excessivo de teor adulto, respondeu que a companhia ainda não possui iniciativas estruturadas nessa dimensão, embora considere que empresas uma vez que a sua possam contribuir futuramente para a produção de dados.

O executivo também disse que a empresa trabalha para reduzir o estigma em torno de profissionais do sexo e criadores de teor adulto. “Esse mercado historicamente foi posto debaixo do tapete, tanto que muita gente ainda acha que ser acompanhante é violação, quando não é”, disse. “Há quem coloque a mulher que produz teor adulto inferior da mulher que escolheu uma vez que profissão jogar futebol, por exemplo. E não cabe essa verificação. São funções legítimas e que cumprem um papel social”, defendeu ele, que tem duas filhas de um enlace de mais de 20 anos que acabou recentemente.

Hoje ele namora uma produtora de teor adulto. “Não serei hipócrita, às vezes qualquer ciúmes a gente sente.”

Neste movimento para naturalizar leste mercado, Ongaratto acharia também oriundo se uma de suas filhas escolhesse ser acompanhante ou produtora de teor adulto?

“Ninguém nunca teve coragem de me perguntar isso”, riu, antes de emendar a resposta: “Eu respeitaria a decisão delas e daria as melhores recomendações possíveis para que elas possam estar nessa profissão da maneira mais segura provável, com sucesso. Eu não estou cá para estimulá-las a escolher essas profissões, mas também não estou cá para desestimular.”

Folha

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