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Entidades criticam projeto que reduz maioridade penal aprovado na CCJ
Brasil

Entidades criticam projeto que reduz maioridade penal aprovado na CCJ

Organizações da sociedade social criticaram a aprovação, pela Percentagem de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a maioridade penal no Brasil.

As lideranças defendem que a medida votada nesta quarta-feira (10) não resolve os problemas de segurança pública e cobram maior investimento em políticas sociais.

O diretor do Instituto Peregum e coordenador da Uneafro Brasil, Douglas Belchior, argumenta que a proposta foca excessivamente na punição em detrimento de garantias sociais estabelecidas pela legislação brasileira. Segundo ele, moradores de periferias e jovens negros figuram porquê as principais vítimas da violência e da falta de assistência estatal.

“É mais um capítulo de uma velha prática da política brasileira: transformar o pânico e o racismo em voto e a juventude negra em fim. Reprimir, enclausurar e matar negros sempre deu votos no Brasil“, disse Douglas.

Segundo ele, a redução da maioridade penal não enfrenta o delito organizado, não reduz a violência e não protege a sociedade. “Somente amplia o encarceramento e aprofunda uma lógica que já produziu um dos maiores sistemas prisionais do mundo”, complementa.

A diretora-executiva da Anistia Internacional no Brasil, Jurema Werneck, considerou lastimoso a decisão na CCJC. 

“Além da retirada direitos de crianças e adolescentes, não responsabiliza as instituições do Estado quanto à obrigação de proteger e concordar, conforme já definiu o Regime da Muchacho e do Juvenil (ECA)”, disse Jurema.

“Não é à toa que muitos acreditam que o Congresso não está à profundeza das necessidades da população. Segurança pública exige tomada de decisões de forma harmónico, levando em conta a dificuldade do problema e os direitos humanos. Mas o Congresso ainda tem chance de emendar a rota e rejeitar nascente contraditório”, completou.

O presidente da Percentagem da Verdade da Escravidão Negra da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro e dirigente do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara), Humberto Adami, avalia que a aprovação da redução da maioridade penal se insere no concepção de racismo institucional.

“É uma medida que deve ser repudiada sempre, até porque se sabe que as pessoas que mais frequentam as prisões brasileiras são os pobres, pretos e pardos. Portanto, é mais um caso de racismo”, diz Humberto.

Segundo ele, investigações legislativas anteriores já indicaram a preço do investimento escolar para a redução da criminalidade, em detrimento do encarceramento.

“Não se vê aumentar investimento de ensino, mas querem aumentar o número de presos no país, quando está provado que você tem um dispêndio muito grande de prisões e cadeias no Estado. Era muito mais barato investir em ensino”, aponta.

Ao proteger a proposta, o relator, deputado Coronel Assis (PL-MT), disse que a medida é juridicamente viável, não viola as chamadas cláusulas pétreas da Constituição Federalista, nem tratados internacionais.

Medida inócua

O sociólogo, professor e pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Ignacio Canudo, coordenador do Laboratório de Estudo da Violência (LAV), classifica a proposta de redução porquê inócua e injusta. De convenção com o pesquisador, a maior segmento dos delitos não é cometida por menores de idade.

“Estudos mostram que o endurecimento penal não está associado a uma redução sistemática e permanente da violência. Mas é uma saída fácil. É uma medida que não custa zero no início e parece mandar uma mensagem de rijeza contra o delito”, aponta Canudo.

O sociólogo argumenta ainda que a medida cria uma incoerência ao exigir responsabilidade penal de indivíduos que ainda não possuem plenos direitos civis.

“É injusta na medida em que você acaba tratando porquê adulto uma pessoa que não é, que não tem recta de votar, não tem recta de guiar um coche, mas que tem que responder porquê adulto por um delito. Isso é incoerente”, conclui.

Impacto social

A organização não governamental de direitos humanos Justiça Global também se posicionou contra a proposta. A entidade argumenta que a elevação das punições não resolve os problemas sociais do país.

“Embora pareça uma solução para um problema que está no núcleo das discussões sobre a vida pública no Brasil, o aumento das penas e punições de adolescentes é uma saída fácil que não ataca o cerne dos problemas do país. Fica a pergunta: o Congresso vai investir em proteção social, ensino, saúde mental e políticas para a juventude? Ou vai continuar aprofundando a lógica do encarceramento e da punição porquê única resposta para a violência?”, questiona a ONG.

Para a União Brasileira das e dos Estudantes Secundaristas (Ubes), o combate à criminalidade no país deve passar prioritariamente pela ampliação do entrada à ensino, ao trabalho e à assistência social.

A entidade estudantil aponta que o Brasil já tem a terceira maior população carcerária do mundo, o que, sob a ótica da instituição, evidencia que o aumento do encarceramento não se traduz maquinalmente em redução dos índices de violência.

“O problema da criminalidade no Brasil não é a falta de punição. É a falta de políticas públicas que garantam ensino, trabalho e proteção social para a juventude”, diz um trecho da nota da instituição. “Redução da maioridade penal não é solução. Investir na juventude, sim”.

Próximas etapas

Em seguida a aprovação da CCJC, a proposta que reduz a maioridade penal não segue diretamente para votação definitiva. O texto ainda precisa ser analisado por uma percentagem peculiar temporária, que debaterá o valor da questão. 

Caso sancionado nesta percentagem, vai para votação em dois turnos no plenário da Câmara dos Deputados, onde exige o espeque mínimo de três quintos (308 dos 513 parlamentares), em dois turnos de votação. Se aprovada nessas etapas, a material segue para o Senado Federalista, onde passará por rito semelhante.

Fonte EBC

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