Filme vê Elize Matsunaga entre a violência e a maternidade – 24/07/2026 – Ilustrada
Elize Matsunaga esconde partes do marido, que acaba de esquartejar. No início de “Elize: Sombras de uma Mulher”, pouco se diz sobre o que levou ao violação de 2012, mas já aparecem duas faces da mesma pessoa —a mulher que se vingou do empresário Marcos Kitano e a mãe guiada pelo pranto de sua bebê. Ela não quer que traumas respinguem na filha.
Fora do filme que chegou à Netflix, nesta quinta (23), o caso se tornou um fenômeno midiático, muito antes do “true violação”, uma vez que ficaram conhecidas as produções baseadas em crimes reais, dominar o streaming.
Cinco anos depois o documentário “Era uma Vez um Delito”, que entrevistou Matsunaga pela primeira vez desde o assassínio, Lorena Comparato vive a assassina no longa que encena engrenagens do mercado sexual, abusos psicológicos e desilusões que antecederam a morte do encarregado da Yoki.
Para tal, coube a Raphael Montes roteirizar o suspense policial. Fora livros uma vez que “Jantar Secreto” e “Dias Perfeitos” —ajustado para uma série do Globoplay—, o responsável também se destacou com a romance “Venustidade Inevitável”, da HBO Max.
Com Camila Pitanga, a trama segue disputas à luz de um poderio de cirurgias plásticas e tomado por pressões estéticas. De qualquer jeito, lembra as cenas de “Sombras de uma Mulher” sobre o mundo das acompanhantes sexuais, antes de Elize trocar a rotina pela de esposa troféu.
Para Comparato, a subtrama dialoga com a geração da protagonista, que deixou o lar ainda jovem para fugir do padrasto reprovável, sem generalizar a profissão de longa data.
“Não queríamos que ela fosse definida por isso, e não seria patente reduzir histórias que levam mulheres ao mercado do sexo”, explica ela, que esteve em “Regra 34”, filme premiado em que uma professora resolve complementar sua renda uma vez que camgirl.
“A verdade é plural e, esse filme, apesar de fundamentado em fatos, é uma ficção. Mas a obra reúne dinâmicas geradas por estruturas de gênero e classes sociais uma vez que secção do contexto por trás de uma brutalidade.”
Em tela, Matsunaga se vê entre o sonho de ser mãe, que procura uma vez que uma espécie de resgate, e signos da agressividade que cresce nela, uma vez que uma ofídio de estimação e os rifles de caça que aprende a usar.
Recentemente, ela também foi retratada em “Tremembé”. O seriado do Prime Video, lançado no ano pretérito e renovado para uma segunda temporada, dramatiza os dias na penitenciária que abriga criminosos de grande repercussão.
Junto a figuras uma vez que a Suzane von Richtofen de Marina Ruy Barbosa, a personagem, cá na pele de Carol Garcia, conquista o regime semiaberto —em que o detento, depois trabalhar durante o dia, retorna à prisão para passar a noite.
Hoje vive em liberdade condicional e virou um tipo de meme, apesar de não ter redes sociais. Não são poucos os posts, por exemplo, que a representam uma vez que ícone feminista, e há quem a tenha encontrado e feito fotos ao seu lado.
Esse cenário traz discussões sobre a suposta romantização desses rostos públicos e de seus atos, uma vez que tantos outros ligados ao “true violação”. São debates que contemplam, também, as obras de Montes, que por vezes seguem homens instáveis e que perseguem mulheres.
Muitos veem essas narrativas uma vez que importantes plataformas de denúncia. Já outros defendem que o excesso de cenas gráficas, em que violências físicas e simbólicas são descritas em detalhes, pode substanciar comportamentos misóginos.
Para o plumitivo e Mariana Torres, que assina o roteiro com ele, o maior repto durante o desenvolvimento de “Sombras de uma Mulher” foi não cruzar essa traço tênue, principalmente em sequências explícitas.
“A violência não pode ser uma forma de entretenimento”, afirma Montes. “Ela precisa conscientizar e servir uma vez que revérbero de uma sociedade ainda muito violenta. Ao abordar assuntos ainda muito pertinentes hoje, a ficção, por vezes, é mais potente que a própria verdade.”
Segundo ele, a curiosidade humana explica a atração por tais histórias, ainda que nem todas as dúvidas sobre os limites humanos possam ser solucionadas. “É uma maneira de entrar em mentes uma vez que essa, e sempre quisemos investigar a dificuldade de Elize. Ela vive uma história universal e, ao mesmo tempo, o declínio muito específico de um narrativa de fadas.”
“O interesse por essas produções vem também do interesse por nós mesmos”, adiciona Torres. “É uma sintoma da nossa própria agressividade e, desde as tragédias gregas, somos atraídos por hábitos que geram identificação.”





