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Grito dos Excluídos têm atos em defesa por moradia e
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Grito dos Excluídos têm atos em defesa por moradia e contra violência

Movimentos sociais realizaram nesta segunda-feira (7) a 32ª edição do Grito dos Excluídos. Houve marchas e atos em mais de 50 cidades, em todas as regiões do país, segundo os organizadores.

Faixas, bandeiras e gritos de guerra ajudaram a expor o lema da edição, “Na resguardo da Terreno, da Sossego e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”

Os manifestantes reivindicaram moradia digna; reforma agrária; ensino pública de qualidade; resguardo do Sistema Único de Saúde (SUS); enfrentamento do feminicídio e de todas as formas de violência contra as mulheres e o combate ao racismo e à LGBTfobia, além do término da graduação de trabalho 6×1.

São Paulo

Na capital paulista, os manifestantes percorreram as ruas do núcleo e terminou com uma missa na Catedral da Sé, dedicada à população em situação de rua. Antes da marcha, foi realizado um moca da manhã comunitário.

Para a ativista Miriam Hermogenes, da Mediano dos Movimentos Populares, uma das organizadoras do ato, defende que a liberdade será plena quando não houver mais pessoas em situação de rua no país.


São Paulo (SP), 07/09/2026. - Pessoas participam do ato 32ª Edição do Grito dos Excluídos. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil
São Paulo (SP), 07/09/2026. - Pessoas participam do ato 32ª Edição do Grito dos Excluídos. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

São Paulo (SP), 07/09/2026 – Ato do 32º Grito dos Excluídos na capital paulista. Foto: Paulo Pinto/Dependência Brasil

“A gente faz uso desse dia para manifestar: Olha, não temos liberdade ainda, temos que seguir muito para ser um país, uma sociedade em liberdade”, afirmou à Dependência Brasil.

O coordenador do cursinho Educafro, Frei David Santos, pediu a resguardo da democracia para que não haja interferência econômica nas eleições. “É importante estarmos juntos, hoje, pela Democracia”, disse.

Deuza Cordeiro de Lima foi à revelação para reivindicar contra a violência policial. O rebento dela, Thiago, foi assassinado em janeiro de 2023, na região médio da capital. “Vim uma vez que em outros anos denunciar a violência. Meu rebento foi morto pela polícia, e seus assassinos estão livres. Ele era singelo, mais um de tantos, e não vou permanecer quieta”, disse.

Célia Souza e amigos participaram do ato e defenderam moradia digna para todos.

Eu vim hoje pela luta. Por moradia, que é alguma coisa cuja prestígio é a mais básica, da qual não podemos terebrar mão”, disse Célia Souza.

Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, o ato cruzou a Avenida Presidente Vargas, uma das principais do núcleo da cidade, e teve início em seguida o Desfile de Sete de Setembro. 

Um dos diferenciais do ato foi um grupo de ativistas que levou o teatro para a revelação. No meio da marcha, eles encenavam esquetes com resguardo à soberania vernáculo e à democracia. A ação foi conduzida pela Escola de Teatro Popular, que se identifica uma vez que um movimento de teatro político e ensino popular.

Um dos coordenadores do grupo é o pesquisador teatral e dramaturgo Julian Boal, rebento de Augusto Boal (1931-2009), fundador do Teatro do Oprimido, metodologia teatral criada com a teoria médio de transformar o testemunha em participante ativo, capaz de discutir e ensaiar formas de enfrentar situações de vexame na vida real.


Rio de Janeiro (RJ), 07/09/2026 – Integrantes de movimentos sociais participam do Grito dos Excluídos, manifestação no Dia da Independência, no centro da cidade.  Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 07/09/2026 – Integrantes de movimentos sociais participam do Grito dos Excluídos, manifestação no Dia da Independência, no centro da cidade.  Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Rio de Janeiro, 07/09/2026 – Grupo leva teatro para Grito dos Excluídos. Foto: Fernando Frazão/Dependência Brasil

Julian Boal explicou que a presença no Grito dos Excluídos foi uma forma de levar mais pessoas à revelação. Ele contou que a encenação retratou que a participação democrática não se encerra com as eleições.

“O que a nossa cena tentou fazer é recolocar a questão de qual é o peso das instituições. Tentar discutir que dentro das instituições a gente pode fazer muita coisa, mas que o nosso todo é muito maior do que aquelas eleições podem colocar”, completou.

Um dos gritos mais exaltados foi a resguardo da moradia. O coordenador do Movimento Quilombos Urbanos Luta por Moradia Digna, Ricardo Pitta, acredita que somente por meio de mobilização popular, os segmentos “mais vulneráveis e invisibilizados” da sociedade vão conseguir volver as injustiças que sofrem.

À Dependência Brasil, ele lamentou o traje de as demandas ficarem “subordinadas ao calendário eleitoral”.

“Todo ano os moradores estão sofrendo, ameaçados de lixo, muitos deles, inclusive, em imóveis públicos que, em vez de estarem cumprindo sua função social, uma vez que prevê a Constituição, estão sendo ameaçados de serem leiloados para atender aos interesses da especulação imobiliária”, criticou o coordenador do movimento que mantém quatro ocupações na cidade.

O trajectória dos manifestantes foi escoltado de críticas ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. Outro tem foi a resguardo do término da graduação 6×1, aprovada pela Câmara dos Deputados e que ainda precisa ser votada no Senado, o que deve ocorrer em seguida as eleições. Outra renque do protesto reuniu fotos de vítimas da Ditadura Militar (1964-1985) e cobrava vigilância democrática para que o Brasil não vivencie mais períodos de autoritarismo. Um mundo cenográfico de murado de três metros de profundeza retratou a preocupação com o meio envolvente.


Rio de Janeiro (RJ), 07/09/2026 – Integrantes de movimentos sociais participam do Grito dos Excluídos, manifestação no Dia da Independência, no centro da cidade.  Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 07/09/2026 – Integrantes de movimentos sociais participam do Grito dos Excluídos, manifestação no Dia da Independência, no centro da cidade.  Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Rio de Janeiro (RJ), 07/09/2026 – Movimentos sociais participam do Grito dos Excluídos. Foto: Fernando Frazão/Dependência Brasil

No meio do ato, um grupo de murado de 15 pessoas se aproximou de participantes do Grito dos Excluídos e tentou hostilizá-los com gritos. Policiais militares que acompanhavam o trajeto intervieram, e o grupo se afastou, sem registro de confusão. 

Brasília

Integrantes do Núcleo de Ecologia Integral de Brasília também aproveitaram o ato para manifestar a preocupação com a crise ecológica e suas dimensões políticas, destacando que o tema é uma questão de justiça social, responsabilidade política e compromisso com a vida.

“O planeta está sendo destruído e se não mudarmos a política ecológica, a forma uma vez que estamos tratando nossa moradia geral, usando os recursos naturais da forma uma vez que estamos gastando, logo não teremos mais onde habitar”, disse à Dependência Brasil a economista aposentada Maria do Carmo de Jesus Botafogo.


Brasília (DF), 07/09/2026 - Pessoas participam do ato O Grito dos Excluídos. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Brasília (DF), 07/09/2026 - Pessoas participam do ato O Grito dos Excluídos. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Brasília (DF), 07/09/2026 – Grito dos Excluídos em Brasília. Foto: Valter Campanato/Dependência Brasil

Durante o ato, o núcleo apresentou uma epístola de compromisso com a ecologia integral que pretende integrar a candidatos do campo progressista que disputam cargos no Executivo e no Legislativo nas eleições deste ano.

Fruto de um seminário que reuniu vários membros do grupo, o documento está estruturado em quatro eixos temáticos: políticas agrícolas e fundiária; políticas urbana e resíduos no DF e Entorno; Justiça Climática e Proteção às Vítimas e propostas sobre uma das mais importantes nascentes da região, a da Estação Ecológica de Águas Emendadas, que alimenta duas importantes bacias hidrográficas: a do Tocantins-Araguaia e do Paraná.

“Passadas as eleições, entregaremos uma transcrição a todos os eleitos, independentemente do campo ideológico, pois eles terão as mesmas obrigações com o meio envolvente”, acrescentou a engenheira florestal Ana Clara Botafogo, filha de Maria do Carmo.

Para a professora universitária Altaci Kokama, ao longo de suas 32 edições, o Grito dos Excluídos se consolidou uma vez que um momento durante o qual os que estão à margem da sociedade “têm voz e vez para apresentar suas demandas, suas reivindicações”.


Brasília (DF), 07/09/2026 - Altaci Kokama, professora universitaria, participa do ato O Grito dos Excluídos. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Brasília (DF), 07/09/2026 - Altaci Kokama, professora universitaria, participa do ato O Grito dos Excluídos. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Brasília (DF), 07/09/2026 – Professora Altaci Kokama participa do Grito dos Excluídos. Foto: Valter Campanato/Dependência Brasil

“Os excluídos são aqueles que não têm casas, moradia, trabalho, manjar, os que estão buscando justiça”, destacou, reconhecendo o repto de mobilização.

“Quem tem mais numerário para financiar suas ações consegue mobilizar mais pessoas. Para trazer os excluídos, por exemplo, muitas vezes é preciso ajudar com transporte, comida, e nós não temos toda a estrutura necessária. Muitos têm vontade de participar, mas não têm condições”, acrescentou, ressaltando o trabalho ordenado de debates junto às comunidades.

* Reportagem de Alex Rodrigues (Brasília), Bruno de Freitas Moura (Rio de Janeiro) e Guilherme Jeronymo (São Paulo)

Fonte EBC

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