O prêmio Jabuti, que divulgará seus vencedores nesta terça-feira (27), teve 78 jurados neste ano. São três para cada uma das 22 categorias e mais 12 na estreante de incentivo à leitura, dedicada a influenciadores digitais.
Cada livro que passa pelos jurados requer uma estudo de estilo e narrativa, e as estratégias para resolver se a obra merece levar o prêmio variam a cada juiz.
José Henrique de Freitas Santos, professor da Universidade Federalista da Bahia e jurado da categoria de romance literário, conta ter aceitado o invitação do Jabuti também pela curiosidade de entender uma vez que funciona o trabalho do júri.
Habituado a participar de bancas uma vez que professor, Freitas diz que a rotina de leitura intensa já fazia segmento de sua vida, e as coisas não mudaram com o Jabuti.
Primeiro de uma categoria com autores mais estabelecidos no mercado, ele já tinha lido alguns dos livros antes de saber os inscritos. “É fundamental que a obra me acrescente alguma coisa uma vez que experiência estética. Eu só leio para além dos capítulos iniciais se o livro me apresenta um tanto dissemelhante.”
Em romance literário, ele espera ver narrativas que brinquem mais com questões ligadas a estilo, disposição tempo-espacial e “possibilidades éticas e estéticas”, uma vez que diz.
Na verso, a jurada Sandra Espilotro, que já foi editora-executiva da Mundo Livros, tem tempo para ler todos os livros e ainda reler seus favoritos. Seu temor é cometer injustiças.
O processo é uma vez que um “trabalho de mina”, segundo ela. Espilotro diz observar o domínio de técnicas, a inventividade, a sonoridade e a relação entre forma e teor em cada livro. Ela valoriza o diálogo com outros estilos e a transgressão de regras de linguagem e técnica, desde que reforcem o domínio do responsável sobre elas.
Leitora de poemas desde a puerícia, ela conta ter preferências dentro do gênero, mas os votos nem sempre correspondem ao que mais aprecia. “A boa escrita tem que surpreender, mas não adianta só surpreender porque tem um tanto estranho”, afirma.
Luciana Coelho, jurada no campo de romance de entretenimento, teve em torno de nove semanas para julgar mais de 200 livros. Questionado, o Jabuti não informa exatamente quantos inscritos há em cada categoria, exclusivamente a quantidade totalidade de 4.675 inscrições.
A jornalista lia capítulos no pausa entre um compromisso e outro, em salas de espera, no sege de aplicativo ou no transporte público. Quase sempre com o celular nas mãos, consumindo um PDF detrás do outro, precisou transformar qualquer brecha em momento de leitura.
“Vira uma coisa insana, porque eu não tirei férias para isso. Continuo trabalhando, cuidando dos filhos e fazendo tudo o que já fazia. Tive que reduzir os compromissos sociais”, conta a colunista e secretária-assistente de Redação da Folha.
Coelho decide quanto prosseguir em cada romance conforme a narrativa prende sua atenção, já que leste é um dos critérios de avaliação. Alguns livros ficam pelo caminho depois dez páginas, outros, depois de século. E murado de 30, ao menos, são lidos até o final (às vezes mais de uma vez).
“Assim uma vez que julgar qualquer material —seja uma reportagem, série ou filme— se a obra avança, avança e não te diz zero, é porque não está boa. Nesse processo, muita coisa vai ficando para trás”, aponta a jornalista. Segundo ela, erros de português, clichês, problemas de sintaxe e tramas incoerentes comprometem uma obra.
A ramificação entre romance literário e de entretenimento razão polêmica, mas ambos os jurados dizem compreendê-la. “Os romances de entretenimento são feitos para divertir e distrair o leitor, eles não necessariamente pretendem revolucionar a linguagem ou a forma. Confrontar as duas categorias é uma vez que contrapor um filme da Mostra com um blockbuster”, argumenta Coelho.
“Tudo é literatura, mas trabalhar produções de entretenimento ao lado de outras mais clássicas daria menos possibilidades a essas primeiras de ter destaque. Romances literários têm estruturas já consagradas em premiações”, afirma Freitas.
A presidente da Câmara Brasileira do Livro, Sevani Matos, afirma que a organização define os parâmetros e o escopo de cada categoria no regulamento, buscando prometer a imparcialidade. “As orientações da organização auxiliam a emprego dos critérios, sem ordenar escolhas. A autonomia do júri é exercida dentro das regras previamente estabelecidas”, diz.
Antes e depois do julgamento, a organização verifica se as inscrições atendem aos requisitos do regulamento, uma vez que período de publicação e documentação exigida. Trata-se, segundo Matos, de “verificar a regularidade da participação, sem reavaliar o préstimo das escolhas dos jurados”.
Cada vencedor do Jabuti é eleito por um trio de jurados, mas a escolha é individual. Sem saber as identidades uns dos outros, o júri organiza uma lista com 13 obras e atribui notas a elas.
A partir disso, o prêmio elenca um ranking com as notas mais altas no topo. Assim, quando a lista de semifinalistas é divulgada, o vencedor do Jabuti já está definido —mas o resultado é mantido em sigilo, inclusive dos jurados, até a cerimônia de premiação.
Sevani Matos, da CBL, diz que a seleção dos jurados “considera qualificação técnica, isenção, pertinência da experiência para a categoria e pluralidade do colegiado”.
Nas categorias literárias, é relevante o repertório cultural, e nas categorias técnicas, ganha mais influência a atuação profissional na espaço avaliada, segundo a instituição.
Os convites acontecem a cada ano, sem renovação automática. Freitas, por exemplo, participa do júri pela quarta vez, e Coelho e Espilotro estão em seu segundo ano.
Para os avaliadores, o trabalho é uma oportunidade de ampliar o próprio repertório. Coelho diz que o Jabuti a apresentou a uma cena de terror vibrante e também a uma ficção queer para jovens muito próspera. Já Espilotro tem se surpreendido positivamente com uma produção poética brasileira madura.
Freitas diz que agora, até lendo por prazer, se pega avaliando livros e pensando em bons candidatos ao Jabuti.





