Kneecap estreia no Brasil com rap em irlandês e defesa da Palestina: 'Oprimidos pelas mesmas pessoas'
Mo Chara, DJ Próvaí e Móglaí Bap formam o Kneecap
Tom Beard/Divulgação
No cenário global, eles ainda podem ser considerado um trio de rap incipiente da Irlanda do Setentrião, mas não dá para questionar que o Kneecap vive o auge da curso ao chegar ao Brasil para sua primeira apresentação no país.
O show único acontece nesta sexta-feira (23), no Cine Joia, em São Paulo, em seguida uma série de momentos marcantes pelo mundo.
Desde 2025, Mo Chara, Móglaí Bap e DJ Próvaí — mais divulgado por ser o usuário da balaclava com as cores irlandesas, símbolo do trio — já passaram por Japão, fizeram uma turnê pelo resto da Europa e lançaram um segundo disco festejado pela sátira.
Ah, sim, também venceram nos tribunais uma criminação de terrorismo na Inglaterra, motivado em grande secção por pretexto da resguardo da pretexto Palestina, que faz secção de suas apresentações e suas músicas.
Formado em 2017 em Belfast, o grupo ganhou fãs ao volta do mundo ao unir batidas pesadas, humor ácido, ativismo político e rimas quase integrais em gaélico — o linguagem irlandês reprimido por séculos de domínio britânico.
“Depois de 800 anos de colonialismo, é proveniente ter empatia por pessoas que estão sendo colonizadas em qualquer lugar do mundo”, afirma em entrevista ao g1 Mo Chara (que significa “meu camarada”, em irlandês), ao explicar a relação direta que traça entre a história de seu povo e a pretexto palestina.
“Não temos unicamente uma história compartilhada; nós fomos oprimidos exatamente pelas mesmas pessoas”.
Agora no g1
O julgamento de Mo Chara contra as autoridades britânicas, que o acusavam de ter levantado uma bandeira do Hezbollah durante um show em Londres, foi anulado por um juiz, mas serviu de inspiração para o álbum mais recente, “Fenian”.
“No verdadeiro estilo Kneecap, nós viramos o jogo a nosso obséquio e criamos músicas uma vez que ‘Carnival’. A maioria das bandas se isola por semanas para gravar; nós tivemos que dividir esse tempo entre o tribunal e as gravações no estúdio”, diz o rapper.
“Deveria ter sido um tropeço maior, mas acabou sendo unicamente um incômodo que influenciou o disco. No término das contas, ficamos muito felizes com o resultado e com essa ‘tributo’ do governo britânico (risos).”
Na conversa, o cantor falou sobre o processo intuitivo de conceber misturando inglês e irlandês, a motivação por trás de seu ativismo e as expectativas para o Brasil.
Leia a entrevista aquém, editada para perspicuidade:
g1 — Esta é a primeira vez de vocês no Brasil. Quando e uma vez que vocês decidiram fazer uma turnê pela América Latina?
Mo Chara — A América Latina é sempre um daqueles lugares em que qualquer pessoa de fora envolvida com música governanta ir. Sempre ouvi muitas histórias sobre uma vez que o público é incrível. É uma secção foda do mundo, inacreditável, com culturas completamente diferentes na mesma região.
Já ouvimos falar muito sobre a comida, a música, mas a nossa maior expectativa — e o que realmente nos deixa animados — são essas tantas histórias que ouvimos sobre as plateias latino-americanas. Estamos extremamente empolgados com isso e espero que seja o primeiro show de muitos no Brasil.
g1 — O contato com os fãs e a procura por cá foram fatores decisivos para maltratar o martelo na rota da turnê?
Mo Chara — Sendo sincero, eu só apareço no palco e grito. Tem muita gente trabalhando nos bastidores que entende dessas coisas muito mais do que eu. Mas acho que foi puramente porque as coisas estão indo muito; os ingressos venderam muito muito no Brasil, logo acredito que isso responda à pergunta. Essa é uma pergunta mais para o nosso produtor de turnê do que para mim (risos).
g1 — Em uma entrevista em 2023 sobre a turnê pelos Estados Unidos, vocês contaram que precisavam dividir o mesmo quarto e a verba era muito curta. O que esperam conseguir fazer agora pela América Latina além dos palcos? Dá tempo de turistar e saber as cidades?
Mo Chara — A questão é que é muito dispendioso chegar até aí e é muito dispendioso viajar em turnê com todos os equipamentos e tudo mais. Infelizmente não temos tanto tempo na América Latina. É meio que: show no México, voa para a Colômbia, faz o show na Colômbia, no dia seguinte voa para o Chile ou Argentina — não lembro a ordem exata. Mas vamos conseguir ver um pouco das coisas, sim.
E não se preocupe: vamos tomar algumas caipirinhas, vai dar tudo perceptível e vamos aproveitar.
g1 — O rap nasceu historicamente da cultura negra nos Estados Unidos. Uma vez que um trio de rap formado por pessoas brancas, isso é alguma coisa que preocupa vocês? O que diferencia a cena e a cultura do hip-hop irlandês do restante do mundo?
Mo Chara — O hip-hop nasceu da comunidade negra nos Estados Unidos, uma comunidade que era muito marginalizada, não era muito representada e não tinha voz em lugares de decisão. Na luta irlandesa existem semelhanças — e, de novo, quando faço esse paralelo, de forma alguma estou colocando a luta negra e a luta irlandesa no mesmo nível, mormente nos dias de hoje. Mas temos muitas semelhanças.
Tivemos 800 anos de vexação cá e uma brutalidade completa, em que nossa língua e nossa cultura foram levadas quase à extinção. Também temos uma tradição histórica muito potente de descrever histórias.
Temos os esportes, nosso linguagem e tudo mais, mas a contação de histórias sempre foi uma secção gigantesca da cultura irlandesa. Há narrativas famosas que chegam a persistir 45 minutos em que a pessoa sabe cada termo de cor em volta da fogueira.
E não existe jeito melhor de descrever histórias no mundo moderno do que através do hip-hop. Nós tínhamos uma história para descrever e sentíamos que a nossa comunidade não tinha espaço na grande mídia ou em qualquer outro veículo além dos nossos próprios. Uma vez que fãs de hip-hop, pareceu o caminho proveniente: descrever a nossa história através do gênero.
g1 — O público brasiliano muitas vezes não tem tanta proximidade com a história da Irlanda. Você pode explicar por que causas uma vez que a Palestina e Cuba têm um peso tão grande para vocês uma vez que povo e cultura?
Mo Chara — Jesus, quanto tempo a gente tem? (risos). Em primeiro lugar, a Irlanda foi a primeira colônia da Grã-Bretanha — da Inglaterra, na verdade, naquela idade. Depois de 800 anos de colonialismo, isso com certeza desperta empatia por qualquer povo que esteja sendo colonizado no mundo, não importa onde seja.
Foi a mesma coisa com a África do Sul: os irlandeses foram muito ativos nas campanhas contra o apartheid. Quando olhamos para a Palestina, vemos o mesmo deslocamento forçado que aconteceu na Irlanda. A comida é usada uma vez que arma. Há muita comida em Gaza, assim uma vez que havia comida na Irlanda durante o período da Grande Penúria.
Outrossim, há os rótulos dados aos palestinos: eles são chamados de terroristas, exatamente uma vez que Margaret Thatcher chamava a comunidade de West Belfast de terrorista nos anos 1980. Não é unicamente uma história compartilhada, sofremos o mesmo tipo de demonização.
E, durante os conflitos na Irlanda do Setentrião (conhecidos uma vez que os Troubles), nós vimos o quanto a solidariedade internacional foi importante.
Quando vemos nossos irmãos e irmãs na Palestina, os irlandeses sentem que devem estar na vanguarda, na música e em outras frentes, falando sobre essas questões.
E, se você quiser ir ainda mais fundo: na dezena de 1920, o governo britânico criou um grupo facilitar chamado Black and Tans para espalhar o caos na Irlanda, com a teoria de impor a ordem através desse caos.
Quando o sul da Irlanda conquistou a independência em 1921, Winston Churchill não sabia o que fazer com essas tropas e mandou os mesmos soldados direto para a Palestina. Ou seja: não temos unicamente uma história compartilhada, nós fomos oprimidos exatamente pelas mesmas pessoas.
g1 — Durante a gravação do último disco, você chegou a responder a acusações meio idiotas ligadas a leis antiterrorismo britânicas. Quão preocupado você realmente ficou e uma vez que isso influenciou o álbum?
Mo Chara — Nós não ficamos preocupados com as acusações em si. A preocupação maior era com a tempestade midiática que viria junto. Eu sabia que tínhamos ótimos advogados e que eu não era o primeiro nem seria o último irlandês a ser denunciado sob alegações fajutas de terrorismo.
Tínhamos uma grande equipe ao nosso volta, com Darragh Mackin e os outros advogados que nos ajudaram durante todo o processo. E os outros caras da orquestra, Móglaí e DJ Próvaí, foram fantásticos o tempo todo.
No verdadeiro estilo Kneecap, nós viramos o jogo a nosso obséquio e criamos músicas uma vez que ‘Carnival’. A maioria das bandas se isola por semanas para gravar; nós tivemos que dividir esse tempo entre o tribunal e as gravações no estúdio.
Deveria ter sido um tropeço maior, mas acabou sendo unicamente um incômodo que influenciou o disco. No término das contas, ficamos muito felizes com o resultado e com essa ‘tributo’ do governo britânico (risos).
g1 — Vocês enfrentam bastante pressão e cobertura negativa de setores da mídia por essas posições explícitas. Uma vez que vocês dosam isso? É uma decisão calculada ou vocês simplesmente falam o que pensam?
Mo Chara — É simplesmente quem nós somos uma vez que pessoas. Muito antes de o Kneecap subsistir e de termos qualquer visibilidade, nós já participávamos de marchas e arrecadávamos moeda para a Palestina.
O que acontece hoje é que muitas pessoas comuns e decentes estavam procurando artistas no palco ou nas telas que tivessem coragem de manifestar alguma coisa sobre o que está acontecendo na Palestina. Quando vejo nomes uma vez que Massive Attack, Lankum ou Fontaines se posicionarem, sinto ainda mais vontade de apoiá-los.
As pessoas estão mais inclinadas a falar francamente por pretexto das provações que algumas bandas e atores enfrentaram nos últimos anos; virou alguma coisa um pouco mais aceito. Se o esteio que nós, o Fontaines ou o Macklemore estamos recebendo aumentou, é porque o movimento está crescendo.
Essas pessoas olham para quem está sob os holofotes uma vez que porta-vozes para falar por quem não tem essa plataforma. É uma viradela de maré: as pessoas estão mais confortáveis para denunciar o genocídio em curso e buscam referências para concordar.
g1 — Boa secção das músicas de vocês é em irlandês, com trechos em inglês. Uma vez que funciona o processo de elaboração? É alguma coisa intuitivo?
Mo Chara — É um fluxo proveniente. A gente não toma uma decisão consciente, com exceção de faixas uma vez que “Gael-Phonics”, em que a proposta é propositalmente rimar em irlandês e explicar em inglês. Fora isso, não ficamos calculando o que vai em cada língua.
Nós vivemos em Belfast, uma cidade dominada pelo inglês, assim uma vez que toda a Irlanda. Mesmo quando você vai para as regiões da Gaeltacht (onde o irlandês predomina), é proveniente que as pessoas soltem uma ou outra termo em inglês no dia a dia. Isso acontece quando tudo na TV, na música e ao seu volta é em inglês. E acho importante retratar isso dessa forma porque é real.
Para nós, acontece naturalmente — além de ser muito útil ter um léxico inteiro a mais à disposição para rimar.
g1 — O que vocês estão preparando para o show em São Paulo e o que esperam do público brasiliano?
Mo Chara — Nós ainda não pesquisamos o suficiente sobre a cidade, mas mal podemos esperar para chegar aí e saber as diferentes culturas, até porque o Brasil é gigantesco. Imagino que haja muito mais do que unicamente a legado portuguesa, logo estamos ansiosos por isso.
Quanto ao show, nos contaram que o espaço é muito intimista. Portanto estou esperando muita testa suada, muita gente cantando junto — inclusive quem nunca ouviu uma termo em irlandês na vida — e todo mundo reunido uma vez que uma grande família.
Fonte G1





