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Livro retrata CEO da DeepMind entre Nobel e dramas da
Tecnologia

Livro retrata CEO da DeepMind entre Nobel e dramas da IA – 22/05/2026 – Economia

A anelo quase messiânica de Demis Hassabis dá o tom de “The Infinity Machine” (“A Máquina do Infinito”, em inglês, sem edição no Brasil), mais recente biografia do fundador da DeepMind —hoje braço de lucidez sintético do Google— e ganhador do Nobel de Química em 2024.

Escrita pelo jornalista britânico Sebastian Mallaby a partir de mais de 30 horas de entrevistas com o pesquisador, a obra o retrata desde as primeiras páginas uma vez que um ideólogo a serviço de uma missão maior.

A “máquina do infinito” que batiza o livro seria uma utensílio capaz de organizar toda a informação existente. Ela é baseada na persuasão do próprio Hassabis de que tudo no universo, da experiência humana às leis da natureza, se reduz a um grande conjunto de dados. A chamada lucidez sintético universal capaz de processá-los —a AGI, na {sigla} em inglês— teria, portanto, poderes que beirariam o divino.

Hassabis, na visão de Mallaby, é não só seu construtor em potencial mas um dos mais qualificados para a tarefa, técnica e moralmente.

O pesquisador é descrito uma vez que um bilionário quase por acidente: descarta iates, carros, casas de praia ou de campo e afirma que, se tivesse de gastar uma riqueza, só a usaria para edificar aceleradores de partículas no espaço, a termo de testar os limites da teoria da relatividade de Albert Einstein.

O livro mostra uma vez que zero disso, no entanto, livrou Hassabis de lógicas das mais mundanas para conseguir seus objetivos. Mallaby detalha uma vez que rumos de uma tecnologia descrita uma vez que civilizacional foram decididos num círculo estreito, masculino e vaidoso de cientistas e executivos, em meio a dilemas corporativos e disputas de ego.



Demis Hassabis, que abriu a trilha seguida pelos rivais, é uma pessoa decente, com espírito público e que quer o melhor para a humanidade. Ele tem ego, com certeza. É formidavelmente competitivo; seu siso de tramontana, uma vez que desenvolvedor de IA, extremo o messiânico. Mas seu objetivo é o justificação científico, não moeda ou poder.

O leitor é imerso no universo dos jogos para entender Hassabis. A puerícia e a puberdade do biografado foram marcadas por compulsão pela vitória —primeiro no xadrez, depois em jogos de computador.

Mundos digitais que ele próprio desenvolvia simulavam tudo: clima, inópia, terror, anelo, opinião pública. Observando uma vez que os personagens dos games reagiam a cada variável no envolvente, Hassabis formulou sua concepção de lucidez: um pouco que emerge da interação de um sistema com o mundo.

Formado em ciência da computação por Cambridge e doutor em neurociência pela University College London, Hassabis fundou a DeepMind em 2010, em Londres, ao lado do pesquisador Shane Legg e do companheiro de puerícia Mustafa Suleyman.

Mais instituto de pesquisa do que empresa, a DeepMind precisaria de muito mais tempo e moeda para entregar resultados do que fundos que financiam startups estavam acostumados. Em janeiro de 2014, Hassabis e seus dois cofundadores venderam a empresa ao Google, em um negócio estimado em ao menos US$ 500 milhões.



Sou antes de tudo um pesquisador […] Mas fazer ciência é, de certa forma, uma vez que ler a mente de Deus. Compreender o mistério profundo do universo é minha religião, de evidente modo.

Em uma das passagens mais saborosas do livro, Mallaby narra uma vez que o cofundador do Google Larry Page, durante uma sarau de natalício de Elon Musk em um forte alugado nos periferia de Novidade York, propôs a Hassabis a compra da startup.

Hassabis conta a Mallaby uma vez que Musk, que havia investido na DeepMind, tentou impedir o negócio até o último minuto —incluindo uma chamada via Skype feita de dentro de um closet em uma sarau em Los Angeles, em que disse ao pesquisador que o horizonte da IA não deveria permanecer nas mãos de Page.

O bilionário, diz a obra, chegou a oferecer que a Tesla ou a SpaceX absorvesse a DeepMind, contrariando seu argumento público de desconcentrar a tecnologia.

Mark Zuckerberg também teria sondado a compra, mas Hassabis saiu de um jantar com ele intrigado: o fundador da Meta se empolgava com IA, metaverso e sensação 3D na mesma intensidade —sinal, para Hassabis, de que não entendia o peso específico do que a DeepMind construía.

A aposta no Google, de qualquer maneira, deu retorno. Em poucos anos, sistemas da DeepMind venceram campeões humanos em jogos complexos e resolveram um problema que a biologia molecular tentava interpretar havia meio século —o que rendeu a Hassabis o Nobel de Química em 2024.

A mesma persuasão que levou a DeepMind a esses resultados, no entanto, a manteve desalinhada da rota que definiria o mercado, segundo Mallaby.

A aposta principal da DeepMind era o aprendizagem por reforço, método já intuído por Hassabis nos jogos da puerícia: sistemas que se aperfeiçoam por tentativa e erro, recompensados a cada acerto. Foi logo que seus algoritmos aprenderam jogando milhões de partidas contra si mesmos e desvendaram a estrutura de proteínas.

Os grandes modelos de linguagem faziam outra coisa: liam bilhões de textos e aprendiam a prever a próxima vocábulo, sem nunca “interagir” com o “mundo”. Hassabis os tratava uma vez que uma das frentes, não uma vez que o caminho principal para a lucidez universal.

O lançamento do ChatGPT pela OpenAI, em novembro de 2022, desfez essa jerarquia da noite para o dia, e a empresa de Sam Altman passou a ditar o ritmo da indústria.

Hassabis admite a Mallaby que precisou exercitar poder sobre pessoas e ceder em alguns de seus princípios para realizar o que queria. Dentro da empresa, os planos de dar mais autonomia à DeepMind não saíram do papel, e a subsidiária foi sendo cada vez mais integrada à estrutura e à lógica do Google.

Também ruiu o projecto de Hassabis de manter um esforço coordenado entre os principais laboratórios de IA: os mesmos executivos que um dia conversaram sobre cooperação hoje competem entre si.

Esse “fragor”, uma vez que ele o labareda, abala Hassabis, que pondera trocar a indústria pela vida acadêmica.

Mas ceder agora seria entregar a pista a Altman, a Musk e até à China, sobretudo no momento em que a chegada da era dos agentes, sistemas que aprendem pela interação com o mundo, justamente uma vez que a DeepMind defende desde a instauração, pode reabrir o jogo. Uma competição, escreve Mallaby, que Hassabis não está disposto a perder.

Folha

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