Notícias Favoritas

O seu portal favorito de notícias na Internet

Mostra de Cinema de SP: James Gray exibe 'Tigre de
Celebridades Cultura

Mostra de Cinema de SP: James Gray exibe ‘Tigre de Papel’ – 16/10/2026 – Ilustrada

Numa sala de entrevistas, James Gray se incomoda com a intervalo entre sua cadeira e a deste repórter. É que o diretor procura ter uma conversa mais próxima, digna de seus filmes, que retratam crises familiares à tendência da antiga Hollywood.

“O cinema é a forma de arte mais íntima. É porquê um sonho”, diz ele à Folha durante a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em que exibe o seu filme mais recente, “Tigre de Papel”, e outros da curso. Nos últimos dias, ele ainda ganhou o prêmio Leon Cakoff e ministrou uma masterclass junto de Walter Salles.

“No teatro, o ator sempre grita, mesmo que você tenha o melhor assento. Já um filme transmite detalhes íntimos de uma frase facial. É um ótimo aproximação a quem realmente somos e aos conflitos de nossa identidade.”

A intimidade de seus projetos já preencheu uma floresta misteriosa, em “Z: A Cidade Perdida”, sobre um explorador que tenta restaurar a honra de sua linhagem, bairros perigosos de Novidade York, caso de “Fuga para Odessa”, em que um mercenário volta do exílio para se reconectar com o irmão mais novo, e até o espaço sideral, no rastro do astronauta de “Ad Astra”, assombrado pelo pai ausente.

Entre os flertes com gêneros porquê a ficção científica, Gray prioriza os Estados Unidos sombrios, em que homens teimosos se envolvem com mafiosos e são corrompidos pelas mentiras da terreno prometida. Em “Tigre de Papel”, que será exibido mais duas vezes no evento, essa sentença não é tão dissemelhante.

No novo longa do cineasta, que em partes lembra o seu “Os Donos da Noite” —em que dois irmãos, o possuidor de uma boate ligada à máfia russa e um tenente ávido, entram em rota de colisão—, um engenheiro e pai devotado decide sonhar elevado quando seu irmão, um ex-policial, sugere uma parceria. A teoria é oferecer consultorias ambientais para russos que exploram canais poluídos e outros espaços escusos.

O sonho logo vira um pesadelo, porquê sugerem as luzes e sombras que invadem as casas do subúrbio, ora ofuscando a visão da dupla, ora anunciando ataques criminosos. É um código idealizado desde o roteiro e que atua porquê uma extensão visual dos dramas representados. Aspectos porquê esse, ao lado de histórias pautadas por impulsos humanos, com causas e efeitos muito definidos, fizeram de Gray um expoente atual do “melodrama”, uma das tradições de Hollywood.

Entre semelhanças com títulos exagerados porquê os de Douglas Sirk e o diferencial de retratar a repressão de sentimentos—em sua adaptação de Dostoiévski, “Amantes”, o silêncio guia um varão que tenta encontrar um paixão—, ele renega o título. “Não me acho importante. Eu já aprendi, do jeito fácil e difícil, que isso não é real. Só quero fazer o melhor com o estilo que admiro. Se quer invocar de filme clássico, aí é com você.”

Apesar do tom soturno de “Tigre de Papel”, a ternura dos personagens resiste melhor que o habitual, e Gray sorri com a teoria de ter criado figuras “mais doces e ingênuas”, mesmo que complexas.

“Quando você envelhece e tem filhos, vê que o paixão é muito mais importante do que imaginava”, afirma o artista, que adapta traumas e vivências para a tela. “Tentei, conscientemente, encher o filme de calor. Queria mostrar que o mundo também pode ser destruído por boas intenções.”

Alguns anos detrás, por exemplo, Gray escalou Anne Hathaway e Jeremy Strong para interpretar seus pais no autobiográfico “Armageddon Time”. No filme, um jovem judeu que desenha durante as aulas percebe o racismo e a desigualdade social que varrem os Estados Unidos às vésperas da eleição de Ronald Reagan, idade em que ideologias conservadoras eram impulsionadas pelo término da Guerra Fria.

Não fosse a agenda atarefada de Hathaway —que leste ano estrelou “A Odisseia”, “O Termo da Rua”, “O Diabo Veste Prada 2”, “Mother Mary” e “Verity”—, “Tigre de Papel” teria sido uma prosseguimento do título anterior. O imprevisto acabou servindo de missiva branca para Gray, ainda que inspirações pessoais, porquê o cancro de sua mãe e o envolvimento do pai com o delito, sejam evidentes.

Ainda assim, o diretor não parece querer se distanciar das repetições. “Quantos autorretratos Van Gogh fez? A teoria de que você precisa encontrar alguma coisa novo o tempo todo é muito mercantil. Um novo resultado, panos de limpeza novos e melhorados. O artista não deve fazer isso. Ele deve fazer você entender as impressões mais íntimas dele.”

Em setembro, quando “Tigre de Papel” foi exibido no Festival de Novidade York, Gray disse ter concluído as gravações muito antes de Donald Trump se apropriar da vocábulo para descrever as ações da Ucrânia. O termo é usado para descrever alguém que se diz cominador, mas, na prática, não tem força alguma.

Na trama, os irmãos são forçados a enfrentar uma série de desilusões, ao mesmo tempo em que tentam transparecer um status pouco suasório. O cineasta afirma que todos os filmes, com ou sem intenção, são políticos, mas critica obras que se aproximam da propaganda.

“Houve um sufocamento da teoria de anfibologia em obséquio de promover uma teoria específica, geralmente que faça o artista parecer bom e estar do ‘lado manifesto’. Sempre tentei me distanciar dessa crença para racontar histórias com transparência. Quando isso acontece, mais ambiguidades e complexidades podem surdir.”

“Joseph Goebbels [o Ministro de Propaganda da Alemanha nazista] via o cinema porquê um meio para se pregar uma verdade. Isso é muito perigoso.”

Folha

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *