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Mulheres formam rede em defesa do clima e dos territórios
Brasil

Mulheres formam rede em defesa do clima e dos territórios

Mulheres de diferentes lugares do Brasil se conectaram em uma rede de escora e fala que tem uma vez que principal gavinha a resguardo ambiental e da justiça climática.  

O Programa Defensoras por Defensoras, promovido pela rede ambiental Observatório do Clima, reúne histórias de vida ligadas pelos cuidados com as pessoas, o meio envolvente e a memória dos territórios.

São 36 mulheres que atuam na risco de frente do ativismo ambiental e climatológico e que juntas trocam vivência, compartilham desafios e passam por formações para o fortalecimento da luta em seus territórios.

A Pernambucana Sara Marques (foto de destaque) vive na comunidade Caranguejo Tabaiares, em Recife (PE), desde que nasceu. O lugar às margens de um braço do Rio Capiberibe, há algumas décadas, era uma região de pescadores e marisqueiras.


Brasília - 31/07/2026 - Sara Marques, no programa Defensoras por Defensoras. Foto: Gabriella Godoy/ Divulgação
Brasília - 31/07/2026 - Sara Marques, no programa Defensoras por Defensoras. Foto: Gabriella Godoy/ Divulgação

Sara Marques no programa Defensoras por Defensoras.- Gabriella Godoy/ Divulgação

Hoje, totalmente integrado à espaço urbana, sofre os impactos de um incremento desordenado que tornou o rio improdutivo e pressiona a população lugar para dar espaço a novos empreendimentos imobiliários.

“Eu tinha essa relação com a natureza, de saber que ia chover quando os caranguejos saíam do buraco, quando os aratus corriam [pequenos caranguejos], quando tinha peixe nos viveiros. Cá a gente tinha uma ergástulo de pescado. Logo tinha camarão, siri, aratu, tinha cavalo oceânico”, lembra Sara.

Antes mesmo de nascer, os avós da Sara já viviam ali e os pais se conheceram e construíram a mansão onde ela nasceu também em Caranguejo Tabaiares. Mas com o tempo, tudo mudou.

“Logo a gente diz que nós somos uma comunidade pesqueira descaracterizada. Você tem o rio canalizado, você tem uma ilhéu que não é mais ilhéu, agora é um istmo [faixa de terra que conecta duas áreas]. Você tem viveiros que antes eram muito cheios de espécies e que hoje produz, majoritariamente, só o camarão”, descreve Sara.

Restauração

No outro extremo do Brasil, em Santa Catarina, Mirian Prochnow também sentiu despertar a vontade de lutar por um meio envolvente saudável para as próximas gerações quando percebeu que o pedaço de Mata Atlântica onde viveu a puerícia começou a vanescer.

“Quando a gente se deparou com centenas de caminhões carregados de Mata Atlântica passando na frente de mansão foi o momento em que eu com um grupo de amigos pensamos o que a gente pode fazer e decidimos ‘vamos fabricar uma ONG e vamos salvar o planeta’”, relembra.

Do sonho de replantar as árvores e ver o rio vivo, nasceu, há 40 anos, a Associação de Preservação do Meio Envolvente e da Vida (Apremavi) e começou o trabalho de produção de mudas de espécies nativas para restauração.

“Começou com 18 mudinhas no fundo do quintal. Hoje o viveiro que a gente tem, tem capacidade para mais de um milhão de mudas por ano e 200 espécies diferentes da Mata Atlântica”, diz Mirian Prochnow.


 Brasília - 31/07/2026 -  Miriam Prochnow, no programa Defensoras por Defensoras. Foto:  Gabriella schaffer/ Divulgação
 Brasília - 31/07/2026 -  Miriam Prochnow, no programa Defensoras por Defensoras. Foto:  Gabriella schaffer/ Divulgação

Miriam Prochnow sentiu despertar força para lutar lugar quando viu que o pedaço de Mata Atlântica onde viveu a puerícia começou a desaparecer- Gabriella schaffer/ Divulgação

Coletivo

Foi exatamente essa vivência e experiência nas ações que fazem frente aos desafios sociais, ambientais e também de gênero que Valdineia Sauré, conhecida uma vez que Val Munduruku, decidiu também fazer segmento das Defensoras por Defensoras.

Nascida em Jacareacanga, no Pará, já fora do contexto de localidade, nunca deixou as lutas indígenas de seu território pra trás. Levou o ativismo para a vida universitária, onde começou a entender melhor as conexões entre a proteção da terreno, os impactos das mudanças climáticas e uma vez que isso afeta de forma dissemelhante cada pessoa.

“O que acontece no território não é alguma coisa só e a gente, enquanto pessoas que somos segmento da solução, precisamos entender isso. Logo, o matrimónio das causas, da universidade, do território, do movimento de mulheres e da juventude, resulta nesse boom no despertar do ativismo”, diz Val Munduruku.

Notícia

Na união feminina, além de ganharem força para enfrentar os desafios em seus territórios, as mulheres também constroem a notícia que ultrapassa os espaços coletivos conquistados por elas.

“A gente precisa fazer com que não só o nosso meio que está sendo afetado entenda, mas também com que outras pessoas tenham consciência para si, de que também vão ser prejudicadas. E que pobres, indígenas, e mulheres já estão comunicando isso há bastante tempo, mas estão pensando que ainda não tiveram tanta atenção”, reforça a paraense.

Desvelo

Em uma publicação lançada recentemente pelo programa Defensoras por Defensoras, o grupo faz uma reflexão sobre o trabalho desenvolvido por elas em relação à Política Pátrio de Cuidados (Lei 15.069/2024).

No relatório Mulheres que Sustem o Clima, elas contam suas histórias e apontam lacunas existentes na lei, uma vez que a pouquidade de escora para lideranças comunitárias e defensoras de território.

“Muitas vezes a gente não tem nem tempo para cuidar do próprio corpo, porque tem outras preocupações de uma vez que desenvolver um projeto, uma vez que que vai tutelar o território. Logo, a gente sempre pergunta nesse movimento, quem defende as defensoras?” questiona Val.

A partir dessas reflexões elas também apontam caminhos uma vez que a revisão do noção de desvelo indo além da prática cotidiana entre pessoas e alcançando a relação de desvelo com o território

“Logo, oferecer suporte, escora de todas as formas para que a gente consiga também estar na luta árdua e ao mesmo tempo fazer esse abraçamento coletivo de mulheres que cuidam, de mulheres trans, de pessoas que são mais marginalizadas nos territórios e que precisam ter esse olhar do desvelo místico, mental, para poder tutelar o território”, conclui Val Munduruku.

Fonte EBC

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