Ouro Preto exibe saga dos pioneiros do cinema no Brasil – 29/06/2026 – Ilustrada
Com mais de duas décadas de existência, a mostra CineOP, em Ouro Preto, se distingue dos demais festivais brasileiros pelo olhar para a história e a preservação. Seus filmes e debates põem em evidência a memória do cinema.
E quando quase não existem mais arquivos audiovisuais que retratam o recorte do pretérito que se procura? É o caso de “Os Irmãos Segreto”, documentário exibido na mostra mineira na noite de domingo, dia 28.
O filme dirigido pelos italianos Michele Manzolini e Federico Ferrone lembra a saga dos irmãos Gaetano, Pasquale e Alfonso Segreto, que estão entre os pioneiros do cinema no Brasil.
Nasceram em uma família pobre no vilarejo de San Martino de Cilento, na região de Campânia, no sul da Itália. Em 1883, os adolescentes Gaetano e Pasquale embarcaram para o Brasil –Alfonso ficou, tinha unicamente 5 anos.
No Rio de Janeiro, os dois irmãos se arriscaram nas mais diversas formas de entretenimento que pudessem ser rentáveis. Envolveram-se até com jogos ilegais e foram detidos algumas vezes pela polícia carioca.
Em 1897, Pasquale e José Roberto Cunha Salles abriram o Salão de Novidades Paris, a primeira sala com um cinematógrafo e programação contínua de filmes. Foi um sucesso.
A essa profundeza, Alfonso já havia se juntado aos irmãos. Foi ele quem comprou equipamentos de filmagem e aprendeu a usá-los. Em junho de 1898, ao voltar de uma viagem a bordo do navio galicismo Brésil, ele filmou a ingressão da Baía de Guanabara.
Por décadas, esse registro –nunca exibido– foi considerado a primeira filmagem feita no país, hipótese descartada por estudos recentes. São de 1897, um ano antes, os registros iniciais, apontam os pesquisadores.
De qualquer modo, os irmãos Segreto têm papel fundamental neste período de promanação do cinema brasílio, tanto na produção quanto na exibição. No entanto, de tudo o que Alfonso filmou, restaram unicamente alguns segundos de “A Despedida do 19º Batalhão Rio Branco”, rodado em 1910 em Curitiba.
A exiguidade de mais registros se tornou, portanto, o maior duelo imposto aos cineastas italianos Manzolini e Ferrone para viabilizar o documentário. Além deles, pesquisadores do Brasil e da Itália vasculharam arquivos mundo afora em procura de outros filmes com a marca Segreto. Zero.
A saída foi, portanto, recorrer a imagens do Rio de mais de um século detrás para lembrar a trajetória dos três irmãos. Os arquivos da Cinemateca do MAM carioca foram fundamentais. Outrossim, usaram registros da Cinemateca Brasileira, sediada em São Paulo; da produtora francesa Pathé; do British Film Institute (BFI), uma instauração britânica; e do estúdio americano Fox.
Além desses arquivos, os diretores mostram uma vez que estão hoje alguns dos locais por onde os irmãos Segreto passaram. Foi um trabalho de quatro anos e meio, conta Ferrone.
Diante de tão pouco que sobreviveu de décadas de filmagens feitas por Alfonso Segreto, é inevitável que lembremos o habitual desdém dos brasileiros em relação à memória. Neste caso em pessoal, não é muito assim, pondera o diretor.
“Esse não é um problema só do Brasil. Naquela estação [final do século 19 e primeiras décadas do século 20], o cinema não era visto uma vez que uma forma de arte, era unicamente diversão. E todo o material era descartado”, afirma Ferrone.
A primeira instituição dedicada à preservação da memória audiovisual no país é a Cinemateca Brasileira, oportunidade em 1949. Curiosamente é o mesmo ano em que a Cinemateca Vernáculo foi fundada na Itália.
Tanto trabalho dessa equipe resultou em ao menos uma invenção, segundo Ferrone. Depois de anos agitados no Brasil, Alfonso Segreto voltou para sua região no sul da Itália, onde teve uma vida muito mais sossegada, longe do cinema. Seu corpo foi sepultado no vilarejo onde nasceu.
Também tranquilo é o curso de “Os Irmãos Segreto”, narrado pelo ator Paulo Betti. Com esse ritmo e imagens preciosas de mais de um século detrás, o documentário nos leva para dentro da Belle Époque carioca.
Depois de percorrer festivais, o filme deve entrar em papeleta em outubro ou novembro deste ano, segundo Ferrone.
‘Uma porrada’
Horas antes da exibição do documentário, o Cine-Museu da Inconfidência apresentou a imitação restaurada de “Um Firmamento de Estrelas”, filme dirigido por Tata Amaral e lançado em 1996.
“Uma porrada!”, disse uma jovem ao término da sessão. Se “Os Irmãos Segreto” é um tirocínio de memória em tom contemplativo, o premiado longa de ficção cresce movido pela tensão.
A cabeleireira Dalva, interpretada por Leona Cavalli, prepara-se para uma viagem para Miami, onde vai buscar outra vida. Neste momento, chega a sua morada o ex-noivo Vitor, papel de Paulo Vespúcio Garcia, e tudo sai do controle.
O roteiro foi escrito por Jean-Claude Bernardet e Roberto Moreira, com base no romance de Fernando Bonassi.
Um dos grandes filmes brasileiros da dez de 1990, “Um Firmamento de Estrelas” foi muito comentado àquela profundeza uma vez que um revérbero da crise resultante dos anos Collor. Neste retorno, a violência contra a mulher tende a ocupar o núcleo dos debates.
O objetivo de Tata e da equipe do filme é que a novidade imitação entre em papeleta ainda no segundo semestre deste ano.
O jornalista viajou a invitação da CineOP





