Se Lula lucrar a eleição, é porque foi fraudada, dirão os bolsonaristas. Aparecerão provas “irrefutáveis” de que hackers russos, chineses e indianos do Brics, orientados por Dilma, teriam obtido o código-fonte das urnas eletrônicas.
“EleiçãoRoubada” seria a hashtag número um dos trending topics do X.
Observadores enviados pelos governos da Argentina, El Salvador, Bahrein e de Trump confirmariam a fraude. Os países do Escudo das Américas não reconheceriam a reeleição, caso contrário sofreriam sanções dos Estados Unidos
Seus embaixadores seriam chamados de volta. Tensões nas fronteiras alimentariam a corrida armamentista entre antigos parceiros comerciais.
A Argentina taxaria a caixa de bombons Garoto, goiabada cascão, tapioca, paçoca e o requeijão. Los hermanos estariam proibidos de viajar para Canavieiras, Búzios e Itamambuca.
Jogadores argentinos que são ídolos em clubes brasileiros, uma vez que Flaco López, Garro, Acosta e Germán Canudo entrariam na lista da Interpol.
Trump enviaria navios de guerra para fazer um bloqueio naval. O que não adiantaria muito, finalmente, diferentemente de Cuba, temos fronteira com dez países. Mas seriam exóticos fundos para selfies tiradas em praias —uma vez que as baleias.
Cassaria os vistos de Anitta, Ivete Sangalo e Wagner Moura, expulsaria a embaixadora brasileira e fecharia a embaixada e os consulados americanos no Brasil.
Agentes do mercado financeiro vislumbrariam uma crise econômica profunda, que afugentaria empresas brasileiras para o Paraguai e faria o Brasil deixar de ser a Venezuela, o 51° estado americano, para virar Cuba.
Bad Bunny seria recluso por agentes do ICE e enviado para um cárcere ignoto na América Latina. Leonardo DiCaprio, por conta de suas relações com indígenas brasileiros, teria as contas devassadas pela Receita Federalista.
As bandeiras de cartões Visa, Mastercard e outras redes vinculadas ao sistema americano ficariam impedidas de processar operações de integrantes do Executivo brasílio, que entrariam na lista da Lei Magnitsky.
Voltaríamos a usar cheque pré-datado.
Se Flávio perdesse, a culpa seria do Careca do INSS, do Alcolumbre e do Janones, que teria montado um Tropa de Brancaleone para espalhar fake news.
A culpa seria de Natuza Nery, Daniela Lima e Flávia Oliveira, comunistas infiltradas, e dos fandoms do Brasil —mobilizações voluntárias de fãs de artistas uma vez que Taylor Swift e Beyoncé—, que teriam se uno para concordar o petista.
E dos ministros Xandão, Flávio Dino e Cristiano Zanin, do STF, do corregedor do TSE, da PF, PGR, BC, dos católicos e de Renan Santos, que, com sua “laia” do MBL —incluindo Kim Kataguiri, traidor da extrema direita—, atacou a direita bolsonarista por pura inveja.
A culpa seria da graduação 6×1, dos estudantes cotistas, dos pais e mães de santo, quilombolas, Nossa Senhora Aparecida e dos institutos de pesquisa, que teriam inexacto as previsões propositalmente.
E se Lula perdesse? A culpa seria dos ministros Alexandre de Moraes, Kássio Nunes, Luiz Fux, Dias Toffoli, André Mendonça, Lulinha, Careca do INSS e da Janja, lógico, porque, para os petistas históricos, tudo o que dá inexacto é culpa da Janja.
Já se disse que, depois que ela xingou Nikolas Ferreira, que viu Satanás até em vistoria ginecológico, o PT perdeu votos em Minas Gerais. Sem nenhuma pesquisa que comprove a tese, dizem que as velhinhas que votam em Lula também votam no amigão do Dani, considerado por elas uma espécie de neto.
A culpa seria também da informação do governo, que não teria expedido os feitos do governo. Da Meta e do X. E porque Lula colocou um chapéu de palha na foto da urna eletrônica. Mas era um Panamá! E o povo sabe lá a diferença?
Para os indecisos, aquilo era um chapéu de palha. Lula não teria ficado com rosto de estadista, mas de plantador de cana cubano, o que assustaria o sufragista independente.
Se ainda fosse um chapéu de pele de cantor sertanejo…
A culpa seria de Tralli, que, na entrevista ao Jornal Vernáculo, passou 22 dos 40 minutos da entrevista com Lula perguntando sobre Lulinha. E do PowerPoint da GloboNews.
E porque Lula não tem celular e não para de falar em soberania e multilateralismo, termo que enrola a língua, coisas de que o sufragista independente não entende bulhufas.
Incerteza: se Flávio lucrar, o que fazer com a frota de carros chineses que abundam nas ruas brasileiras —BYD, GWM, Caoa Chery, Omoda & Jaecoo, Geely? Se os EUA restringem a importação desses veículos, uma vez que um governo Flávio Bolsonaro, desempenado aos americanos, iria proceder?
Restaria uma única opção: a do irmãozão Elon Musk, a Tesla.
Seríamos o 52° estado americano, ultrapassando a Groenlândia e a Islândia na fileira?





