Relembre Michael Jackson no Brasil para gravação de clipe

Relembre Michael Jackson no Brasil para gravação de clipe – 22/04/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Em 1996, Michael Jackson se uniu ao cineasta Spike Lee para fabricar um clipe para sua música “They Don’t Care About Us”, do disco “History: Past, Present and Future — Book I”.

Para a filete de protesto, Michael e Lee buscaram no Brasil um cenário que fizesse sentido para simbolizar a letra de “Eles Não se Importam Conosco”, em português. A proposta era retratar desigualdades sociais e violações de direitos humanos.

Escolheram dois locais. O morro Dona Marta, no Rio de Janeiro, onde fica a Favela Santa Marta, e o Pelourinho, em Salvador, que viraram revestimento do clipe da melodia.

No Rio de Janeiro, entretanto, o projeto enfrentou resistência. A proposta de gravar cenas em favelas gerou críticas de autoridades que temiam danos à imagem da cidade no exterior e até prejuízos à candidatura para sediar os Jogos Olímpicos de 2004. A controvérsia chegou à Justiça, resultando inicialmente na suspensão das gravações na cidade.

Na era, Ronaldo Cezar Coelho, secretário estadual de Indústria, Negócio e Turismo, disse que “a cidade não perde absolutamente zero em deixar de ser cenário de uma exploração mercantil da miséria”, sobre a possibilidade do cancelamento do clipe.

Apesar de tentativas para cancelar as gravações por completo, elas acabaram autorizadas. Em contraste com a postura do poder público, moradores das comunidades envolvidas demonstraram espeque ao projeto, vendo nele uma oportunidade de dar visibilidade às suas realidades.

“O pessoal da filmagem veio cá e falou com a gente. Era muito bom que saísse mesmo esse clipe, quem sabe faziam umas melhorias por cá”, disse José Mário dos Santos, coordenador de um projeto de esportes no bairro, à era.

Ainda assim, a gravação em Santa Marta envolveu um possante esquema de segurança, com policiais e moradores envolvidos. Houve ainda críticas relacionadas à negociação da equipe de produção com lideranças locais para viabilizar as filmagens em áreas dominadas pelo tráfico.

Em Salvador, as gravações no Pelourinho ocorreram em clima de celebração, reunindo milhares de pessoas. Michael interagiu com o público, dançou ao lado de integrantes do Olodum e protagonizou momentos espontâneos —porquê quando caiu em seguida ser adoptado por fãs, incidente que acabou incluído no próprio clipe.

“Estávamos considerando que levante seria mais um Carnaval generalidade da Bahia e do Olodum quando um telefonema de Ana Meire, nossa amiga baiana radicada em Novidade York, tocou para avisar que Spike Lee queria falar com alguém do Olodum, pois o mesmo estava vindo ao Brasil, Bahia, para fazer um clipe com o Olodum da música ‘They Don’t Care About Us’, de Michael Jackson”, escreveu, em 9 de fevereiro de 1996, o logo presidente do Olodum João Jorge Santos Rodrigues, neste jornal.

Muro de 200 percussionistas do Olodum participaram das filmagens, levando o ritmo do samba-reggae a uma produção de alcance global. A repercussão do videoclipe foi imediata e internacional. A participação do Olodum projetou o grupo em mais de 140 países.

“A comunidade negra mundial não é mais a mesma depois do Olodum, de Spike Lee e Michael Jackson. Muitos negros começaram a fazer coisas com suas próprias mãos e adquiriram formas mais sofisticadas de atuar e, aos poucos, derrubamos algumas barreiras e continuamos lutando contra o preconceito”, escreveu Rodrigues.

Não foi a primeira vez, no entanto, que Jackson visitou o Brasil. Em 1974, com 16 anos e ainda secção do conjunto Jackson 5, que fazia secção com seus irmãos, o cantor se apresentou nas cidades de Belo Horizonte, Brasília, Porto Jubiloso, Rio de Janeiro e São Paulo.

Anos depois, em 1993, o cantor retornou com seu projeto solo. Em turnê com o álbum “Dangerous”, Jackson apresentou músicas famosas em seu repertório, porquê “Black and White” e “Heal the World”, em dois shows no estádio do Morumbi, em São Paulo. Aproximadamente 200 milénio pessoas assistiram às apresentações.

Três anos depois, e 30 anos detrás, o retorno ao país para a gravação do clipe marcaria a última vinda de Michael Jackson ao Brasil. O cantor morreu em 2009, aos 50 anos, por uma paragem cardíaca.

Mas deixou sua marca —seja metafórica ou física. “Toda vez que eu ouço qualquer música do meu irmão Michael Jackson, eu lembro de um dos melhores momentos da minha vida, quando estive com o Mike no Brasil. Renda por Deus”, disse Spike Lee a levante jornal, no ano pretérito.

Enquanto isso, uma estátua em tamanho real do cantor instalada em 2010 na laje em que o videoclipe foi gravado na Favela de Santa Maria continua de pé.

Lee foi visitá-la no início deste ano. Publicou uma foto em suas redes abraçando a figura de bronze com a legenda “They still don’t care about us” —eles ainda não ligam para a gente.

Folha

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