O treino da seleção brasileira terminou com um movimento incomum para quem está acostumada a permanecer do outro lado do microfone.
Entre pedidos de entrevistas, entradas ao vivo na TV e uma espécie de fileira improvisada de repórteres brasileiros, Kiyomi Nakamura virou personagem da própria cobertura na Despensa do Mundo.
Em determinado momento dos 15 minutos em que a prensa acompanha o início da atividade à orla do gramado, um comentarista da Ge TV, ainda no ar, avisou que era hora de liberá-la para falar com a Record.
Àquela profundidade, ela já contabilizava mais de dez entrevistas. “Nunca tinha sido tão procurada assim em um treino”, contou à Folha.
O motivo estava no campo. Na segunda-feira (29), o Brasil encara o Japão pela período de 32 seleções do Mundial, e poucos jornalistas conhecem tão muito os dois lados dessa história quanto Kiyomi.
Japonesa, moradora do Rio de Janeiro desde 2001 e cobrindo a seleção brasileira desde 1998 para veículos de seu país, ela atravessou oito Copas acompanhando a equipe canarinho e construiu uma relação de reverência e simpatia com jogadores e treinadores que passaram pela seleção ao longo de quase três décadas.
Formada em literatura americana e inglesa, em universal ela costuma questionar os atletas sobre aspectos humanos de suas trajetórias.
“Mas hoje não tem uma vez que evitar uma pergunta sobre o jogo [entre Brasil e Japão]”, disse ela ao atacante Rayan nesta sexta-feira (26) antes de questioná-lo sobre a evolução do futebol nipónico e as qualidades da seleção asiática.
Segundo Kiyomi, pela primeira vez há no país a expectativa de que é provável fazer frente à seleção brasileira.
“Para a prensa japonesa e para o povo nipónico, pela primeira vez está tendo uma expectativa dissemelhante. Será que temos possibilidade de vencer o Brasil? Nós nunca pensamos nisso. Enfrentar o Brasil seria um sinal de que a participação do Japão iria rematar. Mas, pela primeira vez, temos uma possibilidade”, disse.
“Talvez o propagação do futebol nipónico tenha mudado a postura não só da prensa, mas dos jogadores e do povo nipónico”, acrescentou.
Mesmo assim, para Kiyomi, o Brasil vai vencer o confronto. “Pode ter certeza de que o Japão vai fazer um bom jogo, pode até assustar o Brasil, mas o Brasil é dissemelhante.”
Ela só não gostaria de ver um placar elástico. “Se for 1 a 0 para o Brasil já está ótimo. Não quero ver o Japão sofrendo muitos gols”, brincou.
Não se espera, de indumentária, que possa ocorrer uma goleada no confronto. A seleção japonesa avançou uma vez que segunda colocada do Grupo F, com 5 pontos, detrás da Holanda, que somou 7.
No último encontro entre as seleções, em outubro do ano pretérito, a seleção asiática venceu o amistoso por 3 a 2. É muito verdade que as duas equipes estão muito modificadas desde aquela partida, mas o placar foi um resultado histórico dentro do confronto.
Influência de Zico
A evolução do futebol nipónico tem conexões diretas com o Brasil, criadas sobretudo por Zico, responsável por despertar a paixão de Kiyomi pela seleção brasileira.
Zico teve passagens marcantes pelo Japão uma vez que jogador e treinador. Ele atuou pelo Kashima Antlers de 1991 a 1994. Depois, virou diretor do clube. Mais tarde, comandou a seleção japonesa, de 2002 a 2006.
Antes de treinar a equipe asiática, ele foi coordenador da seleção brasileira na percentagem técnica liderada por Zagallo na Despensa do Mundo de 1998. Foi nessa estação que Kiyomi começou a escoltar mais de perto a equipe.
“O Zico sempre foi um herói no Japão”, ela contou. “Portanto, montei um projeto para tapulhar o trabalho dele nos três meses que antecederam aquele Mundial”, lembrou.
O que era para ser somente três meses para seguir o ídolo virou uma motivação para a jornalista.
Ela sentiu que precisava viver o Brasil de perto e resolveu se mudar para o Rio de Janeiro em 2001, um ano antes da Despensa do Mundo disputada em sua terreno natal junto com a Coreia do Sul, a última conquistada pelo Brasil.
A partir dali, a jornalista japonesa passou a ser figura jacente no dia a dia da seleção há quase três décadas.
Embora não revela sua idade, ela valoriza o indumentária de ter escoltado oito Copas do Mundo cobrindo a seleção brasileira de perto.





