Retrospectiva de Jeferson De exibe ‘Bróder’ e mais; veja – 29/07/2026 – Ilustrada
No RG, o sobrenome é Rodrigues de Rezende, mas Jeferson escolheu a preposição para assinar seu primeiro filme. E assim ficou —Jeferson De.
O cineasta, responsável de títulos uma vez que “Bróder”, “Narciso” e “Doutor Gama”, ganha agora uma retrospectiva de sua obra no Espaço Petrobras de Cinema, no núcleo de São Paulo, desta quinta-feira (30) até 5 de agosto, uma vez que segmento do Festival Cineastas de São Paulo, em parceria com a Folha. Os ingressos custam R$ 20 a inteira.
O cineasta, de 58 anos e com 25 de curso, nascido em Taubaté, no interno paulista, lembra uma vez que concebeu o nome. Provavelmente seus ascendentes foram escravizados pelo barão de Resende, empresário poderoso pelo estado de São Paulo no século 19. Já Rodrigues é sobrenome europeu. Não seria impossível que tivesse sido pretérito de um senhor de terras a um alforriado.
“Logo esse nome é ridículo! Porquê é que eu podia invocar ‘Jeferson Rezende’?”, diz. Sobrou o “De”.
Essa consciência de suas origens, e o que isso revela sobre o lugar que o preto ocupa na sociedade brasileira ao longo dos séculos, diz muito sobre a cinematografia de Jeferson De.
Ele é responsável do Dogma Feijoada, manifesto de 2000 que —brincando com o Dogma 95, de cineastas uma vez que Lars von Trier— atualizou o debate sobre a imagem do preto no cinema pátrio, mirando uma produção negra autêntica, fugindo de estereótipos. Entre os sete pontos destacados no texto, os filmes deveriam ser dirigidos e protagonizados por pretos, além de evitarem super-heróis ou bandidos.
No curta “Carolina”, que retoma a história de Carolina Maria de Jesus, com Zezé Motta no papel da escritora, e em “Doutor Gama”, drama biográfico sobre o líder libertador Luiz Gama, o cineasta mostra sua preocupação em trazer para o cinema as contribuições intelectuais dos negros no Brasil. A sessão deste último, no domingo, 2 de agosto, será seguida por um debate com o diretor e o jornalista do jornal Naief Haddad.
“Tenho consciência de que pessoas que me antecederam abriram portas para minha chegada. Ruth de Souza, Milton Gonçalves, Léa Garcia, Antonio Pitanga são algumas delas”, diz o cineasta. “Aprendi com eles que a luta é silenciosa, detalhista, estratégica, com algumas derrotas e muitas vitórias, mas sobretudo de muita troca.”
Seu longa mais recente é “Narciso”, lançado neste ano, com Seu Jorge. A trama acompanha um menino órfão que não aceita sua cor, em meio a conflitos com a própria identidade.
A principal ponte entre o cinema independente e o horário superior da TV Orbe se deu com “Bróder”, filme que narra as trajetórias de três jovens do Capão Rotundo, periferia de São Paulo. O filme de 2010, com Caio Blat, Jonathan Haagensen e Silvio Guidane, teve entre os produtores peixes grandes uma vez que Daniel Fruto e Cacá Diegues.
O longa de 2010 será exibido na noite desta quinta-feira (30), numa projeção em película, seguida de debate Carol Rodrigues, cineasta de Criadas”, e Tatiana Roble Costa, presidente da Associação de Profissionais do Audiovisual Preto, a Apan. A mensuração será de Daniela Romão, perito em regulação audiovisual.
De foi um dos responsáveis por trazer mais rostos negros para as novelas da Orbe. Foi diretor-geral de “A Pequena do Momento”, romance das seis que teve Duda Santos no papel principal. Agora, vai para a filete das sete, com a inédita “Por Você”, a ser protagonizada por Sheron Menezzes.
Em paralelo, De prepara o longa “Carolina – Quarto de Resíduo”, que retoma trechos da história de vida da escritora Carolina Maria de Jesus em adaptação do quotidiano em que narrava sua difícil rotina de penúria, publicado em 1960.
“Sem incerteza, o meu maior orgulho é colaborar para a pluralidade nas equipes, sobretudo de pessoas pretas”, diz. “Obviamente, não estamos em muitos espaços de decisão. Mas estamos construindo com muita solidez um diálogo importante, e ter a escuta tem sido fundamental.”
Veja a programação
‘Narciso’
Qui. (30), às 15h; sex. (31), às 19h10
‘Bróder’
Qui. (30), às 19h10, (projeção em película seguida de debate com Carol Rodrigues e Tatiana Roble Costa e mediação de Daniela Romão); sáb. (1º), às 19h10; seg. (3), às 15h
‘M-8 – Quando a Morte Socorre a Vida’
Sex. (31), às 15h; seg. (3), às 19h10
‘Doutor Gama’
Sáb. (1º), às 15h; dom. (2), às 17h, seguida de debate com o diretor Jeferson De e o jornalista da Folha Naief Haddad
Sessão de curtas, com “Carolina”, “Narciso Rap”, “Distraída pra Morte”, “Jonas, Só Mais Um?” e “Gênesis 22”
Dom. (2), às 15h
‘O Talismã’
Ter. (4), às 15h; qua. (5), às 19h10
‘Correndo Detrás’
Ter. (4), às 19h10; qua. (5), às 15h





