Ritrovato chega aos 40 com ‘Aurora’ e Barbara Stanwyck – 18/06/2026 – Ilustrada
O Cinema Ritrovato chega aos 40 anos a partir do dia 20 de junho, mostrando que não veio para trebelhar. O festival bolonhês, que começou com um encontro de especialistas em restauro —a Cinemateca sítio é famosa porquê núcleo de recuperação de filmes—, vai exibir mais de 500 filmes em oito salas, durante uma semana, com sessões quase sempre lotadas.
Quem permanecer do primícias ao termo da mostra e observar a, digamos, seis filmes por dia, o que está longe de ser uma média ruim, terá visto 48 filmes, ou seja, nem 10% do totalidade de filmes exibidos.
De todos eles, o que mais labareda a atenção é “Aurora”, o filme de F.W. Murnau, que em 1927 deu forma ao cinema dos Estados Unidos. Murnau —”meu gênio germânico”, porquê o chamava William Fox— trouxe da Europa sua arte dos movimentos de câmera, a cenografia em perspectiva, a retrato sutil. Murnau montou uma cidade nos estúdios da Fox e marcou praticamente todos os diretores de seu tempo, de John Ford a King Vidor —sem relatar, evidente, Hitchcock, que já havia visto Murnau filmar na Alemanha.
O novo restauro de “Aurora” será exibido na Piazza Maggiore, a firmamento acessível, com a música original executada pela Orquestra Comunale de Bolonha. Também na terreiro começará a revisão de “New York, New York”, de 1977, o músico de Martin Scorsese com Liza Minnelli e Robert De Niro.
A participação brasileira, sempre irregular, levante ano terá um filme gálico de Alberto Cavalcanti, que foi o primeiro brasílico a se tornar cineasta de peso internacional. “Rien que les Heures”, também de 1926, filme gálico que ajudou a torná-lo um nome indispensável da avant-garde daquela dez. Quem vai invocar mais a atenção, no entanto, é Kleber Mendonça Rebento, que fará em pessoa a apresentação de seu documentário “Crítico”.
Dos Estados Unidos, um valor seguro é a retrospectiva da espantosa Barbara Stanwyck, uma das maiores atrizes do cinema em todos os tempos e, de quebra, atriz que sabia escolher muito muito os seus papéis. A série começa com “A Flor dos Meus Sonhos”, que Frank Capra dirigiu em 1930, e segue até “Dragões da Violência”, de 1957, faroeste de Samuel Fuller, passando por filmes de Howard Hawks, Preston Sturges, Douglas Sirk e Billy Wilder entre outros. Em suma, a fina flor da arte de Hollywood.
Já o diretor Mitchell Leisen merece um “a conferir”. De vez em quando, o festival empurra aos seus frequentadores uma novidade “redescoberta” da era clássica. Será que Leisen é mesmo tudo o que prometem? Entre os mudos americanos, destaque ainda para “Tol’Able David”, de 1921, de Henry King, cuja valia para o cinema brasílico vem da influência que teve sobre o desenvolvimento de Humberto Mauro, um dos nossos raros clássicos que vieram dos anos 1920.
Da Itália, o festival terá Luchino Visconti porquê o homenageado do ano. Será provável ver ou rever quase tudo que ele filmou, desde “Preocupação”, de 1943, até “O Puro”, de 1976. Para quem nunca viu, observar a maravilhas porquê “O Leopardo” em tela grande será imperdível.
Ainda se mostrará um Luigi Comencini —”Mulher de Muitos Amores”, de 1964— e, sobretudo, “Quo Vadis”, de 1913, de Enrico Guazzoni, um dos pontos altos do cinema italiano naquele momento em que os superespetáculos romanos faziam a grandeza do cinema italiano.
Da França, além da vanguarda de, entre outros, Marcel Duchamp, dá-se um salto até 1985, com o belo “Os Renegados”, de Agnès Varda. A Espanha vem com uma bela retrospectiva de Juan Antonio Bardem. Hoje ele é mais divulgado por ser tio de Javier Bardem, mas foi um dos expoentes da era franquista, ao lado de Luis García Berlanga —conseguindo fazer filmes e estar contra o ditador, muito entendido.
Da Suécia vem “Os Emigrantes”, de 1971, de Jan Troell, cineasta menor que Bergman, sem incerteza, mas quase todo mundo é, e o filme fez curso internacional, concorreu ao Oscar e tem Liv Ullman e Max von Sidow.
O Japão, por sua vez, traz uma retrospectiva de Daisuke Ito, um dos principais cultores do filme de samurai da era clássica. Desde o mudo até os anos 1970, seus samurais trazem porquê particularidade jacente a revolta e as marcas do serviço prestado aos senhores feudais que, quando eles se tornam inúteis, os abandonam.
Porquê mesmo um filme voltado ao pretérito não pode desprezar o sabor presente, levante ano o Ritrovato dedica uma bela seção ao cinema de horror e fantástico. Os filmes vêm dos Estados Unidos, da China e da França, com destaque para “A Maldição de Frankenstein”, de 1957, primeira marca deixada por Terence Fisher na importante série de filmes de terror da Hammer.
Há ainda os Roger Corman com sua série dedicada a Edgar Allan Poe ou os horrores do grand-guignol gálico, até chegar, mais perto de nós, a Tim Burton, com seu “Edward Mãos de Tesoura”. Uma série rica que percorre esses oito dias fabulosos que Bolonha promete para levante ano.





