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Rival do Brasil, Marrocos une futebol e projeto nacional
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Rival do Brasil, Marrocos une futebol e projeto nacional – 05/05/2026 – Esporte

Em Salé, nos periferia de Rabat, a capital marroquina, jovens de 12 a 18 anos treinam em campos de uma imponente liceu de futebol avaliada em US$ 65 milhões (R$ 324 milhões). Com dormitórios, dez salas de lição e espaços de séquito médico, a estrutura integra uma rede com mais de século centros de formação espalhados pelo país.

Na teoria, o sistema procura ampliar o chegada ao futebol de cume nível. Na prática, o funil é estreito. Com capacidade para acoitar 120 alunos, a liceu batizada em homenagem ao rei Mohammed 6º seleciona a cada ano algumas dezenas de jovens entre milhares de candidatos de diferentes regiões do país.

A iniciativa faz segmento de um projecto mais vasto de investimentos no esporte, que, nas últimas duas décadas, passou a ocupar papel meão na estratégia de Marrocos —primeiro opositor do Brasil na Despensa do Mundo de 2026.

“O futebol em Marrocos está fortemente inserido em um protótipo liderado pelo Estado, que combina financiamento público e espeque de empresas nacionais”, disse à Folha o professor Mahfoud Amara, da Qatar University.

Técnico em governança esportiva no Oriente Médio e no Setentrião da África, Amara destacou o papel de Fouzi Lekjaa, um dos homens mais influentes do futebol africano, na transformação do esporte em elemento-chave da política do país.

Presidente da Federação Real Marroquina de Futebol desde 2014 e vice-presidente da CAF (Confederação Africana de Futebol), Lekjaa também é ministro representante para o Orçamento de Marrocos, o que lhe dá chegada direto aos recursos públicos e capacidade de direcionar investimentos.

“O papel de Fouzi Lekjaa, que conecta a governança do futebol às instituições políticas, ilustra o alinhamento próximo entre a estratégia do governo, a liderança da federação e os atores econômicos”, afirmou Amara. “Isso inclui investimentos sustentados em infraestrutura, academias de base, estádios regionais e sistemas de desenvolvimento de escol.”

Durante um recente seminário da Fifa (Federação Internacional de Futebol), Lekjaa disse que o trabalho da federação para os jovens se baseia em três pilares: instalações, talentos e pessoal qualificado.

“A teoria é prepará-los para a vida porquê jogadores profissionais, para que possam progredir e ingressar em clubes”, declarou.

No projecto esportivo, o objetivo era deixar para trás um pretérito de frustrações. Posteriormente ter sido eliminado na período de grupos da Despensa do Mundo de 1998 —na qual também enfrentou o Brasil, com guia por 3 a 0—, Marrocos não conseguiu voltar ao torneio até a edição de 2018. A seleção também ficou fora de três edições da Despensa Africana de Nações na dezena de 1990.

No diagnóstico de quem comanda o futebol no país, esse cenário refletia a carência de um processo estruturado de identificação e formação de talentos. Para colher seus primeiros resultados, porquê a classificação para a Despensa da Rússia, Marrocos precisou iniciar suas mudanças internas duas décadas antes.

Os efeitos desse processo já começam a nascer. Em outubro do ano pretérito, Marrocos conquistou o título inédito da Despensa do Mundo Sub-20 depois de vencer a Argentina por 2 a 0 em Santiago, no Chile.

Em relação à seleção principal, posteriormente voltar à Despensa do Mundo em 2018, o país disputará em 2026 sua terceira edição consecutiva do torneio. A equipe está no Grupo C, com Brasil, Escócia e Haiti.

O confronto com a equipe brasileira opõe uma potência histórica do futebol e um país que passou a tratar a modalidade porquê estratégia vernáculo unicamente nas últimas duas décadas.

“O sucesso de Marrocos está enraizado em um planejamento estratégico de longo prazo que remonta às reformas esportivas nacionais dos anos 2000”, lembrou Mahfoud Amara.

O pesquisador Simon Chadwick, técnico em economia do esporte e professor do eixo África-Europa-Ásia na Emlyon Business School, em Paris, afirmou que, embora Marrocos não seja um país particularmente rico, possui a geografia e os recursos necessários para impulsionar seu poder econômico e político.

Isso se deve principalmente ao traje de o país concentrar tapume de 70% das reservas mundiais conhecidas de fosfato, utilizado em diversos produtos, porquê vitualhas, cosméticos e eletrônicos. Grande segmento dessas reservas é administrada pelo Grupo OCP, estatal e maior empregador do país. O OCP responde sozinho por tapume de 11% de todo o investimento realizado em Marrocos e por 3,2% do PIB vernáculo.

No ano pretérito, o grupo firmou um tratado com a federação de futebol e parceiros privados para gerar um “fundo vernáculo de formação devotado à profissionalização dos centros de treinamento e à promoção de jovens talentos”.

De tratado com Chadwick, o projeto e seus investidores refletem as ambições geopolíticas marroquinas, com a promoção do país no exterior. O vértice desse processo será em 2030, quando Marrocos será coanfitrião da Despensa do Mundo, ao lado de Espanha e Portugal. O evento ajuda a justificar o envolvimento governamental e o investimento de tapume de 14 bilhões de euros (R$ 82 bilhões) na reforma e construção de estádios e centros de formação.

“O protótipo de Marrocos é semelhante, mas ainda ilustre do adotado por países do Golfo. A natureza e a graduação das ambições são comparáveis, assim porquê o papel do Estado. O uso do futebol porquê instrumento de projeção internacional, tanto para construção de imagem quanto para ‘soft power’, também é significativo em todos esses casos”, observou o pesquisador.

Ele ponderou, no entanto, que a capacidade de investimento marroquina é menor na conferência com a de outros países, porquê o Qatar, sede do último Mundial. Conforme a revista Forbes, tapume de US$ 220 bilhões (R$ 1,09 trilhão) foram gastos na organização da Despensa de 2022.

“Marrocos não dispõe de grandes reservas de petróleo e gás nem conta com rivais locais altamente financiados e competitivos. Por isso, tem utilizado o futebol porquê base para se declarar porquê uma liderança geopolítica no continente africano”, disse Chadwick.

“O futebol é uma instrumento meão de ‘soft power’ e diplomacia esportiva. O Marrocos o utiliza para promover turismo, erigir a marca vernáculo e projetar uma imagem de modernização”, acrescentou Amara.

Os projetos ligados ao futebol envolvendo alguns bilhões de euros têm levantado questionamentos sobre a distribuição interna desses investimentos. Houve protestos, principalmente pelo traje de que os investimentos se concentram em grandes centros do país, colocando em incerteza até que ponto esse desenvolvimento é, de traje, um projeto de país.

Folha

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