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Roberto Feith, que ergueu Objetiva, lança primeiro romance 19/07/2026
Celebridades Cultura

Roberto Feith, que ergueu Objetiva, lança primeiro romance – 19/07/2026 – Ilustrada

Depois de uma longa curso uma vez que repórter, produtor de televisão e editor de livros da poderosa Objetiva, Roberto Feith lança aos 73 anos seu primeiro romance, “Filhos da Mãe Gentil”.

Ele conta que a estreia tardia vinha sendo preparada havia tempo. “A gente vai ficando mais velho, mais perto do termo e sente o impulso de gerar”, afirma. Ele cita o ensaísta americano Kenneth Rexroth: “Contra a ruinoso do mundo só existe uma resguardo: o ato criativo”.

O livro acompanha Roberval Pompermayer, jornalista veterano que perdeu espaço e acaba envolvido com a fabricação de celebridades, a contravenção, o mercado financeiro, a política e uma startup de perceptibilidade sintético.

Para ele, o romance não representa propriamente uma ruptura. “Até hoje eu vivi da narrativa, de recontar histórias. Porquê repórter, produtor e diretor de documentários e editor de livros. Acho que é o que eu paladar de fazer. Minha maneira de habitar o mundo.”

Roberval carrega um pouco dessa trajetória. Feith diz compartilhar “as dores” do personagem, um profissional experiente cujas aptidões deixaram de encontrar demanda evidente. O jornalista do romance, porém, não é unicamente uma figura individual. “Ele também representa os desafios da prensa nos dias de hoje”, diz o responsável.

No livro, a decadência da prensa se cruza com um envolvente em que glória, circulação em redes sociais e produção de imagem se tornaram formas de subida. “Em um universo obcecado pela glória, boa segmento das oportunidades está na indústria da notoriedade”, afirma Feith.

Ele sustenta, porém, que a crise não eliminou a preço do jornalismo profissional. “Da mesma forma que, na hora do sufoco, vários personagens do livro acabam recorrendo aos conhecimentos do Roberval, a combalida prensa profissional também tem mostrado o seu valor.”

A trama aproxima jogo do bicho, política, mercado financeiro, tecnologia e entretenimento e Feith define o livro uma vez que uma sátira do Brasil contemporâneo e diz que sua premissa é a permanência de um “capitalismo de compadrio”.

A glória também aparece uma vez que uma espécie de moeda social. “Com a explosão das mídias sociais e a cultura do espetáculo, a glória pode ser monetizada. Vira um caminho, possivelmente mais súbito e trivial, para as formas tradicionais de prestígio: riqueza e poder.”

Feith labareda atenção menos para os influenciadores do que para as plataformas que os abrigam. “A grana que um influencer é capaz de faturar é irrisória comparada com a receita bilionária dessas gigantes que exploram o doutrinado da notoriedade instantânea.” Ele também associa os algoritmos dessas empresas à circulação de notícias falsas.

O trajectória de Feith para chegar à Objetiva e transformá-la em uma das editoras mais importantes do país, a partir dos anos 1990, foi tortuoso.

Começou por meio de sua produtora, a Metavideo, que realizou para a TV Manchete uma série sobre a história do cinema brasiliano em 1988. O material não aproveitado na série virou um livro pela Novidade Fronteira.

Pouco depois, o editor daquele livro, Alfredo Gonçalves, deixou a empresa para gerar uma editora própria chamada Objetiva. Portanto procurou Feith: a empresa precisava de capital.

“Meus amigos disseram que era roubada. O livro, eles garantiam, estava talhado à obsolescência. O porvir estava no audiovisual”, diz. “Só Anna, minha mulher, deu força.”

Feith usou recursos da Metavideo para comprar a maioria das cotas da Objetiva. Ele atribui o sucesso a uma combinação de relações, conhecimento editorial, ousadia e sorte. “Para uma pequena editora, mais difícil do que encontrar o primeiro grande sucesso é a ininterrupção. É publicar o segundo, o terceiro e o quarto.”

Feith não possui mais participação na Objetiva. Em 2005, vendeu o controle da editora —76% das ações, segundo registros da quadra— ao grupo espanhol Santillana.

Em 2014, quando a Penguin Random House comprou a Objetiva e outros selos de interesse universal, Feith vendeu o restante de sua participação. No ano seguinte, a editora foi integrada ao Grupo Companhia das Letras, que já tinha a Penguin Random House uma vez que sócia.

Hoje, ele conduz na Intrínseca o selo História Real, devotado à não ficção brasileira. Mas diz que redigir um romance exigiu outro tipo de trabalho. “A não ficção é construída em torno de fatos. É um repertório muito delimitado. A ficção nasce do intangível, da imaginação. É um repertório infinito.”

No termo, afirma, o leitor precisa entrar na construção desse mundo. “O responsável propõe territórios, situações, personagens, mas o leitor tem que imaginar tudo aquilo que não está descrito e detalhado.”

Folha

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