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Super ricos são tema de novo filme de Karim Aïnouz
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Super-ricos são tema de novo filme de Karim Aïnouz – 05/10/2026 – Cinema


São Paulo


O privilégio econômico está diretamente ligado ao patriarcado. É o que argumenta o diretor Karim Aïnouz em entrevista por escrito à Folha sobre seu novo filme, “Rosebush Pruning”. Esse é o segundo projeto em língua inglesa do cineasta cearense e conta com um elenco de peso, formado por nomes uma vez que Callum Turner, Pamela Anderson e Elle Fanning.


Cena de ‘Rosebush Pruning’, novo filme de Karim Aïnouz

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Divulgação

Depois a passagem pelo Festival de Berlim, onde figurou na competição principal, o título abre o festival Open Air, cinema ao ar livre itinerante que traz a São Paulo uma tela de 325 m², tamanho equivalente a uma quadra de tênis.

O festival se estende até o dia 18 de outubro com sessões de filmes uma vez que “Michael”, “A Odisseia”, “O Diabo Veste Prada 2” e o terror “Preocupação”. Além dos lançamentos, também será verosímil desvendar ou rever títulos clássicos, caso de “Thelma e Louise”, da animação japonesa “Akira” e de “Kill Bill: Todo Sangue Entornado”, versão estendida da saga de Quentin Tarantino de Quentin Tarantino

A sessão de brecha com “Rosebush Pruning” é gratuita e acontece nesta terça-feira (6), às 19h, no Jockey Club, região oeste da capital paulista. Os ingressos para a exibição já estão esgotados, mas o filme chega ao rodeio mercantil logo mais, no dia 15 de outubro.

O filme adentra a lar de uma família americana excêntrica que vive isolada em uma mansão na Catalunha, na Espanha. A rotina hedonista baseada na validação que recebem uns dos outros é ameaçada quando Jack, o irmão mais velho, apresenta a prometida e revela planos de transpor de lar.

A inspiração para a sátira veio do clássico “De Punhos Cerrados”, dirigido por Marco Bellocchio e lançado em 1965, que analisa a escol burguesa italiana. Aïnouz atualiza a sátira para o contexto contemporâneo. “O que mudou na maneira de simbolizar essas elites e o privilégio econômico de lá para cá, especificamente em ‘Rosebush Pruning’, é a vontade de trazer outro elemento para essa equação: o patriarcado”.

Essa não é a primeira vez que o cineasta aborda o tema do patriarcado. Desde “A Vida Invisível”, de 2019, ele observa uma vez que as estruturas patriarcais “não são simplesmente corrosivas, mas destrutivas”. Sua filmografia também destacou o tema em diversas ambientações e personagens desde a Inglaterra do século 16 em “Firebrand”, seu primeiro filme de língua inglesa, até o litoral do Ceará em “Motel Rumo”.

Junto dessas duas obras, “Rosebush Pruning” embala o que ele classifica uma vez que uma trilogia sobre o matéria. “O filme trata de uma vez que o acúmulo de riqueza está ligado ao patriarcado e de uma vez que o patriarcado está ligado a uma espécie de prática de injúria: tanto injúria de poder, quanto injúria sexual e injúria não necessariamente físico, mas psicológico”, afirma Karim, que é um dos nomes do audiovisual brasílio de maior projeção internacional da atualidade.

No longa, algumas cenas podem incubar espectadores. Uma alcateia devorando um cordeiro em cima de uma lápide no meio da floresta ou um varão levando os dedos ensanguentados da namorada à boca depois de ela tê-los pretérito nas partes íntimas são exemplos.

“Eu aposto no choque, no humor e no desconforto uma vez que elementos que façam com que, depois de observar ao filme, as pessoas se questionem sobre o que acabaram de ver e, de alguma maneira, sobre o mundo em que estão vivendo”, defende sobre suas escolhas criativas.

Homem de cabelo escuro, óculos e bigode está sentado atrás de um balcão de recepção com campainha. Ao fundo, há um expositor de cartões postais e janelas com vitrais coloridos.

Colin Farrel em cena do filme ‘O Lagosta’

O tom contra-senso pode lembrar filmes ácidos uma vez que “Dente Cínico”, “O Lagosta” ou “O Sacrifício do Corço Sagrado”. Não é à toa. Todos eles têm texto do roteirista heleno Efthimis Filippou, sabido por sua colaboração com Yorgos Lanthimos. “Rosebush Pruning” é a primeira parceria do redactor com Aïnouz.

A trama, sobre uma família abastada e materialista, também se soma a uma tendência cultural moderna: o fascínio pelos super-ricos. “Sevandija”, “Triângulo da Tristeza” e as séries “Succession” e “The White Lotus”, aclamadas pela sátira em premiações uma vez que o Oscar e o Emmy, são algumas das produções que mergulham nesse universo.

“São classes econômicas e grupos sociais que se isolam cada vez mais e, ao mesmo tempo, continuam visíveis nas redes sociais. A gente sempre sabe uma vez que essas pessoas estão, o que elas estão fazendo. Existe aí uma incoerência que gera uma fricção muito interessante para o filme”, diz.

Ele vê que a desigualdade social intensifica esse interesse popular. “Existe uma espécie de rarefação da renda: algumas pessoas estão ficando muito, muito mais ricas, e outras, mais pobres”, afirma. “Existe aí um ruína muito maior e eu acho que é isso que gera esse libido de fazer obras que sejam críticas e que sejam uma espécie de lupa sobre esses grupos.”

Open Air Brasil
Jockey Club – av. Lineu de Paula Machado, 1.263, Cidade Jardim, região oeste. De 6 a 18/10.
Rosebush Pruning: gratuito, com entradas esgotados.
Ingressos para outras sessões: R$ 100 (inteira) em Sympla. Clientes Nubank possuem 20% de desconto nas entradas.



Folha

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