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Tênis: Calcinha rosa de brasileira escandalizou Wimbledon 07/07/2026
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Tênis: Calcinha rosa de brasileira escandalizou Wimbledon – 07/07/2026 – Esporte

Era um dia de verão de 1962. A tenista brasileira Maria Esther Bueno voltava a disputar Wimbledon depois de um período afastada por motivo de uma lesão.

Ao entrar na quadra Medial, em Londres, no Reino Uno, a “bailarina do tênis” usava um vestido branco que parecia seguir a tradição do All England Club, promotor do torneio de tênis, de exigir roupas inteiramente brancas. Até ela sacar.

Foi logo que veio a surpresa: o vestido tinha um revestimento rosa e a calcinha era da mesma cor.

Porquê conta Sunita Kumar Nair, autora do recém-lançado livroAce: The Times & Style of Tennis” (“Ace: a história e o estilo do tênis”, em tradução livre), em entrevista à BBC: “Aquilo causou um rebuliço.”

Anos depois, Bueno, que àquela profundeza já havia conquistado dois títulos de simples feminino em Wimbledon, e ainda venceria mais um, relembrou que “houve um suspiro coletivo de um lado da quadra”.

Mas, segundo ela, “as pessoas do outro lado não entenderam o motivo até que eu troquei de lado e saquei dali”.

“Depois”, contou Bueno, “passei a usar calcinhas nas cores do clube [verde e roxo], o que indignou a percentagem de Wimbledon. Foi aí que criaram a regra de que as roupas deveriam ser totalmente brancas.”

A exigência de que os jogadores vestissem branco existia desde a instauração do All England Lawn Tennis and Croquet Club (AELTC), em 1877, mas era, em grande secção, uma tradição.


Segundo relatos, foi o uniforme de Maria Esther Bueno, criado pelo estilista Ted Tinling, que levou o clube a transformar essa tradição em uma regra rígida.

Porquê escreve Nair: “Em 1962, Wimbledon reagiu com a regra do ‘predominantemente branco’, segundo a qual todos os competidores deveriam vestir roupas quase inteiramente brancas”.

‘De mau sabor e inoportuno’

Mas quem, exatamente, se escandalizou com um vislumbre de uma calcinha rosa? O historiador do tênis Rob Lake ajuda a responder.

“Porquê uma instituição conservadora, em todos os sentidos da termo, o AELTC teria considerado os babados do vestido dela… de mau sabor e impróprios para uma mulher”, disse em entrevista à BBC.

“O clube não acompanhava as mudanças sociais que aconteciam fora de seus muros nos anos 1960.”

Naquela idade, e até os anos 1980, destaca Lake, todos os integrantes do comitê eram homens. “Eles representavam a ordem estabelecida, com ligações políticas e conexões com outras instituições da escol. Certamente não estavam dispostos a promover mudanças sociais que pudessem comprometer a reputação do clube.”

“O AELTC parecia ter uma visão mais rígida sobre porquê as mulheres deveriam se apresentar do que os homens, ou, pelo menos, eram elas que mais frequentemente recebiam reprimendas pela fisionomia”, afirma Lake.

Em 1967, uma novidade polêmica envolvendo roupas tomou conta de Wimbledon. Desta vez, o motivo foram os vestidos curtos da tenista italiana Lea Pericoli, também criados por Tinling, o mesmo estilista das roupas de Bueno.

A influência de Tinling, espargido porquê “Mago de Wimbledon”, sobre a voga no tênis feminino foi enorme. Durante boa secção do século 20, ele exerceu poderoso influência sobre o esporte. Porquê destaca o livro de Nair, entre 1940 e 1980, 75% das tenistas que disputaram Wimbledon usaram vestidos desenhados por ele.

Nair o descreve porquê “o primeiro costureiro devotado ao vestuário esportivo”.

O branco fazia sentido porquê a cor solene de Wimbledon. Quando essa tradição foi estabelecida, no termo do século 19, vestir branco era também um símbolo de status social. Porquê escreve Nair: “Só os ricos podiam comprar, usar e manter roupas brancas. Os demais não tinham numerário nem empregados para ter e preservar um guarda-roupa esportivo separado.”

Para o historiador do tênis Christopher Bowers, o rigor de Wimbledon com a cor branca aumentou ao longo do tempo. “No primícias, era somente a cor do tênis. Depois, o torneio passou a se apegar à regra do branco porquê forma de impor sua tradição ao esporte.”

‘Vulgaridade e vício’

O relance da calcinha rosa de Maria Esther Bueno não foi a primeira controvérsia envolvendo o uniforme de uma tenista em Wimbledon, nem a primeira ligada a um padrão criado por Ted Tinling.

Mais de dez anos antes, em 1949, a americana Gussie Moran, apelidada pela prensa sensacionalista de “Gorgeous Gussie” (“Esplêndido Gussie”, em tradução livre), também causou polêmica ao entrar em quadra com uma geração do estilista.

“Os shorts rendados de Gussie Moran” fizeram com que “dirigentes ruborizados afirmassem que eles tinham atraído a atenção para sua ‘região sexual'”, diz Nair em Ace: The Times & Style of Tennis. Embora a peça não violasse as regras sobre o uso da cor branca, ela foi considerada incompatível com os padrões de decoro da idade. O comitê chegou a acusar Moran de trazer “vulgaridade e vício para o tênis”.

Mas, olhando em retrospecto, talvez não tenha sido Moran quem se comportou de forma inadequada. Porquê o próprio Tinling diria anos depois: “O que provocava excitação era que você só via [a calcinha] uma vez a cada três minutos… Pela primeira vez na história, havia fotógrafos deitados de costas no solo. Todo mundo enlouqueceu.”

Hoje, em 2026, é difícil dimensionar o tamanho da controvérsia. Mas, porquê observou o jornal britânico The Times, Moran “ficou mais conhecida por escandalizar o mundo recatado de Wimbledon em 1949 do que por seu desempenho em quadra”.

Tinling, que atuava porquê gavinha entre os jogadores e a organização do torneio desde 1927, acabou expulso do clube e só voltaria a ser convidado mais de 30 anos depois.

Polêmicas anteriores

Mesmo antes de Moran, outras tenistas já haviam provocado reações por motivo de suas roupas nas quadras de grama de Wimbledon, na região londrina de código postal SW19.

Em 1919, a francesa Suzanne Lenglen, que ficou conhecida porquê “La Divine” (“A Divina”, em tradução livre), chamou atenção ao largar os espartilhos, as anáguas, as saias longas e os chapéus de abas largas. Em seu lugar, passou a usar um vestido de mangas curtas, sem anágua e de comprimento até a panturrilha criado pelo estilista Jean Patou.

Depois foi a vez da espanhola Lili de Alvarez. Em 1931, ela ousou entrar em quadra usando uma saia-calça desenhada por Elsa Schiaparelli. Porquê a peça era bastante ampla, muitos só perceberam que não se tratava de uma saia quando a tenista deu um de seus saltos característicos.

Muitos comentaristas relacionam suas escolhas de vestuário ao compromisso que ela manteve ao longo da vida com a resguardo da paridade entre homens e mulheres.

Ontem e hoje

Quando Wimbledon formalizou, em 2014, uma regra que determinava que roupas íntimas – porquê sutiãs, calcinhas, alças, rendas, solados e outros acessórios fossem —”quase inteiramente brancas”, as polêmicas não demoraram a reviver.

Uma das primeiras a ser advertida foi a tenista americana Serena Williams, por motivo de um short rosa e roxo usado sob a saia. O tenista suíço Roger Federer também acabou chamado à atenção: o torneio pediu que trocasse um par de tênis da Nike com solado laranja.

Segundo o historiador Bowers, o código de vestimenta de Wimbledon “ficou incrivelmente rígido” nos últimos 20 anos. Para ele, hoje a motivação é sobretudo preservar a identidade da marca do torneio.

“Wimbledon gosta de se apresentar porquê ‘o tênis em um jardim inglês’, e as roupas brancas combinam com os gramados listrados, a vegetal Virginia creeper (trepadeira conhecida pelas folhas avermelhadas no outono), os morangos com creme e todo esse cenário. Faz secção da marca, e espera-se que os jogadores entrem no espírito.”

As razões do apego de Wimbledon às suas tradições está ligado à imagem do torneio porquê um dos últimos bastiões do tradicionalismo no esporte, segundo Nair. “Acho que existe uma espécie de idealização quase de história de fadas em torno de Wimbledon”, diz. “E o clube faz questão de preservar essa imagem, construída ao longo de muito tempo.”

No livro, ela descreve a atmosfera única do torneio: “Há um ligeiro silêncio de livraria no ar, o som surripiado das rolhas de champanhe sendo abertas nos piqueniques espalhados pelas quadras, o cheiro fresco da grama recém-cortada e a imagem impecável dos competidores vestidos de branco. Nascente é o All England Lawn Tennis and Croquet Club, senhoras e senhores, porquê sempre foi, porquê é e porquê sempre será.

Folha

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