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CBF aprova contas de 2025 com déficit de R$ 182,5 mi – 29/04/2026 – Esporte

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) aprovou por unanimidade nesta semana suas contas referentes ao ano de 2025, com um déficit de R$ 182,5 milhões, revertendo o superávit de R$ 106,6 milhões do tirocínio anterior.

De contrato com a entidade, o déficit é “revérbero de grandes investimentos realizados para a regularização de passivos deixados por gestões anteriores.”

Entre os investimentos, a CBF citou uma vez que o principal do período uma indenização de tapume de R$ 80 milhões ao clube cearense Icasa, aprovada em dezembro, para dar termo a um processo iniciado em meados de 2013.

Naquele ano, o Icasa terminou a Série B do Campeonato Brasílio em quinto lugar na tábua de classificação, a uma posição do G4 –os quatro primeiros subiram à Série A.

O clube entrou com processo na Justiça Desportiva sob a alegado de que o Figueirense, quarto disposto, com um ponto a mais, teria escalado o volante Luan Niezdzielski de maneira irregular durante duelo contra o América-MG. O Icasa pediu na ação que o time catarinense perdesse os pontos pela vitória por 4 a 2, no estádio Independência.

A CBF reconheceu o erro exclusivamente posteriormente, mantendo os resultados em campo, mas recorreu da decisão da Justiça em obséquio do Icasa, o que prolongou o caso por mais de uma dezena.

“O balanço me pareceu em ordem. Assusta ver déficit, mas as explicações fazem sentido, considerando uma entidade que está resolvendo pendências do pretérito, uma vez que a dívida com o Icasa”, afirmou César Grafietti, economista e sócio da consultoria Convocados.

A CBF destacou ainda que também pesou para o resultado financeiro negativo do ano pretérito o contrato de patrocínio com a fornecedora de material esportivo Nike, que previa uma antecipação de receitas para o tirocínio de 2024.

“Enfrentamos problemas e assumimos o compromisso de reorganizar finanças, regularizar dívidas trabalhistas e com clubes. Nascente investimento vai nos trazer frutos”, declarou Samir Xaud, presidente da CBF.

Ainda conforme o balanço apresentado, a receita líquida da entidade registrou queda de 9% em 2025, para R$ 1,1 bilhão.

“Com relação à receita, a estudo basicamente tem que ser feita em cima de patrocínio e direitos de transmissão e comerciais, que representam 90%, em média”, disse Fernando Trevisan, diretor-geral da Trevisan Escola de Negócios e perito em gestão e marketing esportivo.

As receitas da CBF com patrocínio voltaram a desabar —movimento que já vem desde 2021—, com recuo de 3%, para R$ 438 milhões, aproximadamente, enquanto as receitas com transmissões e comerciais tiveram queda, de 12%, para tapume de R$ 638 milhões.

“Há uma percepção de que talvez a CBF, depois de anos de más gestões e casos de prevaricação, e o próprio desempenho da seleção brasileira, tenha reduzido o interesse das marcas em se associar a ela”, afirmou Trevisan.

Já os investimentos da CBF nas seleções brasileiras somaram tapume de R$ 420 milhões, o que corresponde a um incremento de 22% em relação ao ano anterior, “revérbero do compromisso crescente da CBF com a vantagem esportiva, o resgate do prestígio da ‘Amarelinha’ e o fortalecimento da marca Brasil no cenário mundial”, afirmou Xaud.

No entanto, enquanto o investimento na seleção masculina cresceu quase 40%, para R$ 281 milhões, no caso do time feminino, houve uma queda de 22%, para R$ 94 milhões.

“A diferença de gastos com a seleção masculina ainda é gritante, quase três vezes maior”, observou Trevisan.

Os repasses às federações estaduais, por sua vez, avançaram 32% no período, somando R$ 80 milhões, “refletindo o esteio crescente ao desenvolvimento do futebol nas 27 federações do país –abrangendo as competições de base, a formação de novos atletas, a solidificação do futebol feminino, a garantia de calendário para o futebol masculino profissional e o desenvolvimento e modernização da infraestrutura nos estados, com peculiar atenção à qualificação de gramados e estádios”, afirmou Xaud.

O investimento totalidade da CBF no futebol atingiu aproximadamente R$ 1,18 bilhão em 2025, incremento de tapume de 9% em relação ao ano anterior.

“A novidade gestão, que assumiu ao longo de 2025, vem conduzindo um processo consistente de modernização e reorganização interna da confederação. As medidas já implementadas e em curso em 2026 —entre as quais a introdução do fair play financeiro, a profissionalização da arbitragem e a otimização do calendário pátrio— sinalizam um compromisso concreto com o progresso e a credibilidade do futebol brasílico”, disse o presidente da entidade.

Durante a câmara realizada na segunda-feira (27), também foi aprovada a receita de R$ 2,7 bilhões para o tirocínio de 2026.

“O cenário é saudável, com aplicações de quase R$ 2 bilhões, nenhuma dívida, e perspectiva de aumento de receitas em ano de Despensa do Mundo”, afirmou Grafietti.

Folha

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