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Centrão aposta em derrota de Lula para limitar veto a
Esporte

Centrão aposta em derrota de Lula para limitar veto a bets – 08/10/2026 – Negócios


Brasília


Integrantes do centrão vão atuar no Congresso para modificar a medida provisória (MP) editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que proibiu as bets no Brasil. A intenção é, posteriormente concluídas as eleições, modular a proposta para encontrar um meio-termo à proibição totalidade. Uma das ideias é manter a proibição de cassinos online, mas liberar as apostas esportivas.

O movimento ganhou força com a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL), uma vez que o presidenciável tem indicado ser favorável a autorizar as apostas ligadas a eventos esportivos. Mas parlamentares também avaliam que há espaço para negociação caso Lula seja reeleito, devido à pressão dos clubes de futebol e da mídia por pretexto da publicidade.


Fachada do Palácio do Congresso Nacional

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Pedro França/Agência Senado

O grupo de congressistas que atua para modificar a MP é formado principalmente por deputados e senadores próximos a casas de apostas, à CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e aos clubes. Eles afirmam, no entanto, que é preciso esperar o término das eleições para diminuir a pressão social sobre a mudança e facilitar a negociação. A MP tem força de lei e a proibição das bets já está valendo no país.

O prazo para que os parlamentares apresentassem emendas à medida provisória acabava antes do primeiro vez das eleições, mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), prorrogou até o dia 13 para descolar a discussão do período de campanha eleitoral de deputados e senadores. A percentagem que discutirá a proposta só deve ser criada em novembro.

Leia também:

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    https://c-level.folha.uol.com.br/negocios/2026/10/flavio-bolsonaro-diz-que-proibicao-as-bets-e-agressao-a-seguranca-juridica.shtml

  2. Veto às bets pode liberar até R$ 40 bilhões por ano no orçamento das famílias

  3. Circulação de links de bets ilegais fica estável após veto de Lula, mostra levantamento

  4. Advogado investigado por lavagem com bets comprou empresa de apostas acusada de calote no Rio

    https://c-level.folha.uol.com.br/negocios/2026/10/advogado-investigado-por-lavagem-com-bets-comprou-empresa-de-apostas-acusada-de-calote-no-rio.shtml

Apostando na vitória bolsonarista, representantes do setor procuraram parlamentares uma vez que o coordenador de campanha de Flávio, o senador Rogério Oceânico (PL-RN), mas admitem que há resistências. O líder do PP na Câmara, o deputado Dr Luizinho (RJ), coordenador da Frente Parlamentar do Jogo Responsável, também foi acionado para proteger mudanças no texto.

Vice-presidente do clube River-PI, o deputado Júlio Arcoverde (PP-PI) propôs emenda para liberar apostas relacionadas a eventos esportivos e manter o veto aos cassinos. “Tem que ser um meio-termo. Foi uma decisão muito assoberbada do presidente Lula para lucrar votos”, diz.

Ele afirma que não unicamente o futebol está com as contas ameaçadas, mas também eventos culturais de festas do interno.

Já o deputado Bebeto (PP-RJ) protocolou quatro emendas na segunda (5), dia seguinte à eleição, para proteger o funcionamento das bets e focar a proibição unicamente no mercado proibido, que não tenha autorização do Ministério da Herdade.

“É onde se concentram os riscos reais ao consumidor, à integridade esportiva e à arrecadação pública. A experiência internacional e a própria trajetória recente do Brasil mostram que a proibição ampla não elimina a demanda por apostas”, afirma.

Um senador e um deputado ligados à CBF avaliam que a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro aumentou as chances de modificar a MP para liberar segmento das apostas ou até mesmo derrotar toda a MP posteriormente a eleição –a medida vigora por quatro meses posteriormente a publicação, mas os prazos ficam suspensos no recesso parlamentar, portanto a votação pode ocorrer até fevereiro de 2027, já no novo governo.

O candidato do PL à Presidência tem evitado proteger a liberação das apostas esportivas publicamente, mas em suas declarações de campanha criticou unicamente os cassinos online. “Vai estar proibido o jogo do tigrinho e vai estar proibido o cassino online”, afirmou ele em Goiânia, dia 25 de setembro.

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Nesta quarta (7), questionado novamente, Flávio atacou Lula, disse que o petista “é o pai do tigrinho” e lembrou que votou contra a medida provisória que regulamentou as bets no Brasil, mas não respondeu diretamente se será favorável à liberação das apostas ligadas a eventos esportivos. “A gente tem que fazer uma elevação muito honesta e com responsabilidade”, disse.

Ele também afirmou que a proibição por meio de uma MP às vésperas da eleição causou instabilidade jurídica. “Ele toma [essa medida] a poucos dias da eleição uma vez que se isso fosse ser revertido em votos para ele, [mas] o efeito foi o contrário. Ele agrediu a segurança jurídica, agrediu os clubes, diversas empresas”, disse, posteriormente ato em que recebeu base de políticos do União Brasil e PP.

Apesar da aposta do centrão na eleição de Flávio para virar o veto totalidade às bets, integrantes do grupo dizem nos bastidores que é provável negociar também com Lula uma flexibilização, passada a pressão maior dos eleitores durante esse período de campanha. O argumento será de que os clubes de futebol e outras modalidades esportivas, além de eventos culturais, se beneficiam do patrocínio.

Secção dos integrantes do governo concorda que a medida foi açodada e que levará a um incremento do mercado proibido, onde ocorre a maioria dos golpes e em que não há pagamento de impostos. Mas também afirmam que é difícil Lula recuar posteriormente a eleição, já que usou o veto durante a campanha eleitoral, e que mudar de postura depois seria interpretado uma vez que um estelionato eleitoral.

As bets, por sua vez, têm argumentado aos políticos e integrantes do governo que a liberação das apostas esportivas, mas sem os cassinos online, será insuficiente para que os patrocínios e a arrecadação com impostos se mantenham nos níveis anteriores à proibição, já que significam 70% do lucro das empresas. Em 2025, foram quase R$ 9 bilhões em impostos pagos.

Caso a MP de Lula seja mantida, o governo terá que ressarcir essa repúdio de receita no Orçamento do próximo ano com outras medidas. O próprio presidente regulamentou o setor em 2023, posteriormente anos de ilegalidade e sem remunerar impostos entre os governos Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL). Nesse período, houve grande expansão em todo o território brasiliano.



Folha

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