Ryan Gosling e seu “Devoradores de Estrelas” que se preparem. Depois de a comédia despontar porquê a melhor estreia americana deste ano, outra proeza intergalática já está pousando nos cinemas mundiais para roubar essa grinalda. As previsões são de que “Super Mario Galaxy: O Filme” passe dos US$ 350 milhões pelo mundo com sua chegada às telonas, nesta quarta-feira (1º), e que, ao longo das semanas, se torne mais uma animação de lucro recorde.
Enfim, seu predecessor, “Super Mario Bros. O Filme”, há três anos, passou de US$ 1,3 bilhão no mundo com o sucesso do consórcio entre Japão —representado pela Nintendo, dona da franquia de games aclamada— e Estados Unidos —a Universal e o estúdio Illumination, criadores dos hits “Meu Malvado Predilecto” e “Minions”.
O segundo fruto desta união é um repeteco de tudo que havia de bom no irmão mais velho: uma jornada frenética, deleitável, engraçada, sem decisões polêmicas, com o melhor esmero visual e cores do cinema de animação mercantil recente, além de muitos e muitos presentinhos para os fãs.
Aliás, essas referências a toda sorte de personagens, cenários, videogames e temas musicais são o esqueleto de “Super Mario Galaxy”, assim porquê no filme de 2023. Parecem até mais ostensivas nessa prosseguimento, que cita outras criações de Shigeru Miyamoto, o pai do encanador bigodudo, mas de fora de seu universo —porquê o raposo Fox McCloud, do jogo de nave “Star Fox”, ou as criaturinhas-planta de “Pikmin”.
A perdão, porém, está mais em porquê o roteiro e a direção sabem declamar todos estes elementos estranhos e surreais —tratados com naturalidade em videogames antigos— no calor da ação cinematográfica.
É porquê se o testemunha estivesse investido numa jogatina, saltando de período em período, por uma hora e meia, mas com o tratamento vital dos manuais hollywoodianos.
“Super Mario Galaxy”, finalmente, se sustenta num fiapo de enredo. Mario, seu irmão Luigi e a princesa Peach terminaram a proeza anterior aprisionando Bowser, o vilão tartaruga, num fortaleza de miniatura e tocam suas vidas ajudando os vizinhos do reino Cogumelo.
Nisso, entram em cena duas figuras novas na telona —Bowser Jr., o rebento do malvadão, que segue os passos do pai e conquista a princesa Rosalina, residente num fortaleza espacial, cuidando de dezenas de estrelinhas fofas e gorduchas. Mais “girl power” cá do que no jogo “Super Mario Galaxy”, de 2007, Rosalina protagoniza a primeira sequência de luta, combatendo um robô gigante com sua varinha mágica, mas acaba sequestrada pelo opositor.
Seu projecto, portanto, é salvar o pai e usar a magia da jovem porquê combustível para uma espécie de Estrela da Morte que reduzirá o universo a cinzas. A missão de resgate caberá não só a Mario e Luigi, mas também a Peach —com ainda mais protagonismo e cenas sentimentais—, ao cogumelo Toad e ao dinossaurinho verdejante Yoshi, dos quais carisma de pet tem ajudado a vender o filme entre brinquedos e baldes de pipoca de R$ 200.
Depois de Rosalina, é ele quem rouba a cena, quando é encontrado pelos irmãos perdido numa paisagem desértica de “Super Mario Odyssey”. Ele acaba lá, depois de um passeio atrapalhado pelo Brooklyn, de onde saem as primeiras risadas e piadas visuais do filme. Depois, infelizmente, assim porquê a princesa, o bichinho não será muito aproveitado pela trama.
De certa forma, prevalecem no longa momentos porquê esses —encantadores, que seguram a barra de um filme pipoca infantil, mas não mais que isso. É o caso da ótima luta num cassino, envolvendo Peach e os exóticos inimigos de “Super Mario Bros. 2” —porquê a dinossauro rosa Birdo, o sapo Wart e uma poviléu de ninjas—; ou ainda dos conflitos finais no planeta de Bowser Jr., com recta a alguns experimentos nostálgicos em 2D.
Talvez a grande melhoria em relação ao predecessor seja na música. Além de um escorço de som impecável para as cenas grandiosas, a trilha não recorre a hits dos anos 1980, porquê “Take on Me”, do a-ha, nem a músicas cantadas por Jack Black, dublador em inglês do Bowser. Agora, a trilha toda instrumental é derivada, em grande secção, do trabalho de Koji Kondo, compositor dos games.
Ao mesmo tempo em que é leal a todo esse universo criado ao longo de 40 anos, o que se vê na telona não tem o mesmo frescor dos jogos. Cada lançamento da série principal, mesmo seguindo fórmulas, arriscou e virou padrão para a indústria.
Foi assim no salto do primeiro “Super Mario Bros.”, de 1985, para o primoroso “Super Mario Bros. 3”, de 1988, esses no NES, em 8-bits. Seguiu-se o aclamado “Super Mario World”, no Super Nintendo, em 1990, e, seis anos depois, “Super Mario 64”, quando o personagem chegou ao 3D. E assim por diante.
“Super Mario Galaxy” se consagrou porquê clássico do Wii, ganhou uma prosseguimento —ambos relançados recentemente— e, no cinema, virou unicamente um dos elementos desta sopa, temperada com elementos de “Super Mario Wonder”, “Sunshine”, “Yoshi’s Crafted World” e tantos outros.
Mesmo assim, a Illumination, estrategicamente, não pecou pelo excesso. Deixou sobras suficientes para nutrir mais uma dezena de arrasa-quarteirões, se conseguir manter o pique e não se desleixar com o tempo, feito o Universo Cinematográfico Marvel.
