Muita gente diz que o Guns ‘N Roses, atração principal que fecha o festival Monsters of Rock, neste sábado (4), em São Paulo, é uma filarmónica veterana, muito longe de sua tempo áurea. Muito, o que proferir portanto do Lynyrd Skynyrd, grupo formado em 1966 (!) que será a penúltima atração no palco do Allianz Parque?
Enquanto o Guns é cobrado por novas músicas, essa questão não incomoda o Lynyrd Skynyrd. Desde 1987, a filarmónica existe para festejar o legado da primeira formação do grupo, que gravou canções clássicas do southern rock, o som sulista americano, porquê “Free Bird” e “Sweet Home Alabama”.
Um dos gigantes desse gênero, ao lado do Allman Brothers, o grupo vivia seu auge de popularidade em 1977, quando o avião da filarmónica caiu numa região de floresta no Mississippi.
Na queda morreram o vocalista Ronnie Van Zant, o guitarrista Steve Gaines, a vocalista de base Cassie Gaines (mana de Steve) e o assistente do empresário do grupo, além de piloto e copiloto. Os outros integrantes da filarmónica sofreram ferimentos graves.
O Lynyrd Skynyrd só retornou em 1987, com o irmão mais novo de Ronnie, Johnny Van Zant, assumindo o vocal. Até 2012, a filarmónica lançou nove álbuns de estúdio, mas seus shows se transformaram em tributos à formação original, com um repertório de sucessos da tempo inicial.
“Bom, são 40 anos tocando essas canções. Creio que desde 1987 existe o libido de preservar o legado da filarmónica”, conta Johnny Van Zant. “Os shows são realmente celebrações, uma experiência místico. Muitos fãs não puderam ver a filarmónica com meu irmão, e hoje ainda têm a chance de tomar um pouco do que é o Lynyrd Skynyrd.”
O cantor de 67 anos acredita num caráter pregador assumido pela filarmónica. “Para mim, a emoção é poderoso todas as noites. Evidente que qualquer filarmónica pode tocar ‘Free Bird’, mas trazer essa aura do grupo original é alguma coisa que a gente toma porquê uma missão. Tocar ‘Sweet Home Alabama’ é incrível, mas eu não sei por quanto tempo a gente vai seguir fazendo.”
Esta é a terceira vinda do Lynyrd Skynyrd ao país. Em 2011, a filarmónica participou do festival SWU, em Paulínia, interno de São Paulo. Em 2023, fizeram um show no Rodeio de Jaguariúna. Agora, mais uma grande plateia no Allianz.
“Para ser sincero, a gente gosta mesmo é de tocar. As arenas dos festivais têm essa vigor toda, mas tocar em um lugar menor, olhando para o rosto das pessoas, é também alguma coisa mágico”, conta Van Zant. E ele ressalta porquê a filarmónica agrada plateias diferentes.
“Na Europa, principalmente, nós tocamos em alguns festivais que são radicalmente heavy metal. Quando participamos pela primeira vez, tínhamos a incerteza: porquê nosso som vai se encaixar nisso? Foi ótimo! Aí a gente volta aos Estados Unidos e vai tocar em festivais dominados pela música country. E o Lynyrd Skynyrd é muito muito asilado.”
Os integrantes da filarmónica têm outros projetos. Van Zant é o duo de Johnny e seu irmão Donnie, que lidera outra filarmónica fundamental do southern rock, 38 Special. No termo de 2024, a dupla lançou um álbum belíssimo, “Always Look Up”, mas o público paulistano não terá chance de ouvir zero desse material.
“Nesses anos, a filarmónica teve músicos que fizeram coisas incríveis sozinhos ou em outros grupos, mas nas turnês nós temos a formalidade de só tocar Lynyrd Skynyrd. Ser o mais leal provável à experiência de ver o grupo original. Isso não é provável, simples, mas mesmo assim a gente se empenha nessa direção.”
Por isso, hoje os shows trazem poucas canções dos álbuns lançados depois o retorno, em 1987. “Gravamos coisas novas, mas para mim é doloroso pensar em tirar uma das canções lendárias do Lynyrd Skynyrd para colocar alguma coisa dissemelhante”, admite Van Zant.
O cantor enaltece o exaltação dos fãs brasileiros e faz questão de declarar que não se trata de tentar aprazer. “Sinceramente, eu adoro encontrar brasileiros. Hoje você tem as redes sociais, e se entrar lá, verá que os brasileiros deixam muitos comentários. Todos pedem para que a filarmónica toque no Brasil. E vocês chegam pessoalmente com muito carinho.”
Van Zant garante que as plateias da filarmónica pelo mundo têm fãs de todas as idades. Ele agradece a devoção dos fãs antigos, mas diz que sabe muito muito porquê um jovem fã se sente ao saber o Lynyrd Skynyrd.
“Eu era o irmão mais novo de Ronnie, eu me encantava a cada show, a cada disco. Eu era um jovem fã. A música do Lynyrd Skynyrd pode aprazer gente muito dissemelhante. O Metallica fez versão de nossas músicas. Slash e Paul Rodgers fizeram um tributo a Gary Rossington.”
Ele se refere ao guitarrista que foi um dos fundadores do grupo, sobreviveu ao acidente distraído de 1977 e tocou na segunda tempo do Lynyrd Skynyrd até 2021, quando se submeteu a uma cirurgia cardíaca de emergência. Rossington morreu dois anos depois.
Zant acredita numa novidade geração de boas bandas de southern rock. “Blackberry Smoke, eu senhor esses caras. Black Stone Cherry, filarmónica de grandes amigos nossos. Vem mais por aí. Pode estar manifesto de que tem gente criando bom rock sulista neste momento, enquanto estamos conversando nesta entrevista.”
