No dia 24 de junho, o Maritimo de la Guaira estava em Caracas para enfrentar o Deportivo Miranda pela Despensa da Venezuela. A partida aconteceria às 19h locais. Murado de uma hora antes, entretanto, dois terremotos de 7,2 e 7,5 graus na graduação Richter atingiram o país, e a cidade-sede do Maritimo foi a zona mais afetada.
Os jogadores do clube estavam na capital, onde também houve mortes e desabamentos –em menor graduação–, e se salvaram. Mas a ruína chegou a eles e à estrutura do clube, que anunciou em 15 de julho a suspensão de todas as suas atividades.
“Alguns que moram em La Guaira perderam suas casas; outros, infelizmente, seus familiares. O impacto derrubou os prédios uma vez que se eles fossem gelatina”, diz Jair Pineda, possuinte da plataforma do dedo LNE. Ele viaja o país cobrindo o futebol venezuelano.
Um desses jogadores foi o zagueiro prateado Lucas Trejo, 38, do Maritimo. Ele perdeu a mulher e os filhos no sinistro. Yimvert Berrotean, 17, das categorias de base da UCV (Universidad Meão de Venezuela), morreu no sinistro. Ele estava em um apartamento em La Guaira, junto com sua namorada, outra vítima dos sismos.
O dia 24 de junho é feriado na Venezuela, logo muitas das vítimas estavam aproveitando o dia sem trabalho em La Guaira, um balneário sobre 30 km de Caracas.
Pineda conta ter usado sua plataforma para ajudar futebolistas que procuravam parentes ou precisavam de outros tipos de ajuda durante o último mês. “Foi um trabalho muto poderoso. Muitos perderam casas ou não tinham meios para sobreviver. Usei as redes sociais para ir informado o que precisavam, onde havia centros de suporte etc.”
Ele diz ter tentado facilitar de 100 a 150 jogadores, entre os que vivem em La Guaira ou Caracas e os que jogam em outras partes do país mas têm família nas regiões.
Outros atletas atuaram eles mesmos no trabalho de resgate. “Não havia muita ajuda por segmento do governo venezuelano, logo jogadores também estiveram nas buscas, arrecadaram e levaram insumos a La Guaira, a Morón, a el Junquito e a Caracas, alguns dos lugares mais afetados”, afirma.
Pineda conta que a tragédia despertou uma vaga de solidariedade no país. “Muita gente ‘desceu’ de Caracas para La Guaira para ajudar nas buscas menos de 12 horas depois dos terremotos. No dia seguinte o interno do país também começou a enviar suporte em caminhões. Houve muita solidariedade nessa primeira lanço”, afirma.
Em Valência (a 150 km de Caracas), cidade que sentiu o terremoto, mas não sofreu maiores danos, os indícios dessa solidariedade ainda são visíveis. Lojas exibem em suas vitrines frases uma vez que “En los momentos más difíciles, la mayor fuerza de Venezuela es su gente. Unidos nos levantaremos!”.
Na frontaria de um prédio mercantil na avenida Monseñor Adans há um telão promovendo um “meio de acopio”, que concentra ajuda para distribuí-la às zonas mais afetadas, com o endereço do sítio.
Enquanto isso, Caracas tenta voltar à normalidade, diz Pineda, que é da capital. “As pessoas estão tentando retomar a rotina. Ainda se sente um envolvente desolador, com as pessoas consertando suas casas, e outros, que perderem familiares, buscam de alguma forma retomar a vida”, afirma.
Ainda há, de pacto com o regime de Delcy Rodríguez, líder interina da Venezuela, 16.740 pessoas desaparecidas sob os escombros. “Nesta profundidade as esperanças são praticamente nulas. As pessoas só querem encontrar os corpos para dar-lhes uma sepultura digna”, afirma Pineda. Outras 5.208 morreram.
O futebol foi retomado na Venezuela na terça-feira (21), com a vitória do Santos por 4 a 1 sobre a UCV, pela Despensa Sul-Americana. A equipe é de Caracas, mas o jogo foi em Valencia (a 150 km da capital).
De pacto com Alexandre Mattos, diretor-executivo do Santos, o pedido de mudança partiu da equipe brasileira.
“Tínhamos preocupação com a população de Caracas. Com o lado humano. Um jogo envolve forças de segurança, polícia, precisa de hospital disponível caso aconteça alguma coisa. Esses serviços devem agora ser prioridade para o povo da Venezuela”, diz.
Ele afirma que a UCV primeiro queria disputar a partida em sua cidade, mas depois entendeu o argumento.
O repórter viajou a invitação do Santos Futebol Clube





